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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Dos pais aos filhos

 

Hoje vou deixar de lado os temas habituais – política e questões sociais – para falar um pouco de mim. De mim e da relação que tive com os meus pais.

 

Ao olhar para trás vejo um abismo imenso entre o que “nós” – a gente da minha geração – éramos e o que são hoje os filhos para com os pais. Não faço julgamentos de valores; estabeleço diferenças.

 

Os nossos pais eram, antes de tudo e do mais, nossos pais! Nunca me passou pela cabeça que o meu pai ou a minha mãe eram os meus melhores amigos. Eles, por “inerência de função”, eram, de certeza, os meus melhores amigos, não por querem rivalizar com os meus amigos, mas, porque, sendo meus pais, “tinham de ser” os meus melhores amigos, pois achava inadmissível que o não fossem.

 

Claro que esta postura gerava uma situação de distanciamento inexistente – será que era inexistente? – nos dias de hoje entre pais e filhos. Mas, o distanciamento de então tinha à mistura uma grande dose de respeito, e pressinto que a “proximidade” de agora levou para um pouco mais longe esse respeito reverencial. Curiosamente, na minha infância, o pai estava “mais distante” e a mãe “mais próxima”. Havia como que uma “hierarquia familiar”, “degraus” de respeito; a mãe, não sendo desrespeitada, aceitava melhor as “desobediências”, talvez, porque se respaldava na autoridade da figura paterna.

 

A minha infância e juventude foi vivida mais em posição de “escutador” do meu pai do que de interlocutor do meu pai. Ele falava e eu ouvia, argumentando, às vezes, com a mesma cautela que o “chefe de cozinha” põe no uso do sal. Conversar, propriamente dito, com o meu pai, só o fiz após ter acabado o curso da Academia Militar, ter sido promovido a oficial e estar a ganhar o meu dinheiro.

 

Na actualidade vejo, com muita frequência, filhos que dialogam com os pais como se eles fossem companheiros de folguedo, de farra, de escola, desmantelando todas as barreiras de idade e de condição.

 

É verdade que o “salto tecnológico”, ocorrido há cerca de vinte anos, veio dar outras oportunidades aos jovens e aos jovens pais. Aos primeiros, porque criaram novas possibilidades de “conversa” fora dos grupos sociais habituais – irmãos, parentes, colegas de escola, amigos do café, companheiros de farras –, gerando uma multiplicidade de contactos e experiências quase inexistentes antes dos computadores pessoais e dos telemóveis com múltiplas funções; aos segundos, porque, a par das mesmas hipóteses dos filhos, lhes “facilitou a vida”, evitando-lhes a “obrigação” de conversar com os descendentes. Em suma, a família ampliando o leque de contactos para fora de si mesma, fechou-se para o diálogo e para a relação restrita dentro dela.

 

Mas houve mais que a tecnologia trouxe: a possibilidade de “compensar” a ausência de contacto com os filhos, através de os premiar com novos “artefactos” tecnológicos. Os pais não se sentem frustrados e os filhos não se sentem agradecidos, pois não tiveram de “pedinchar”, visto receberem de bandeja aquilo que julgam ter direito.

 

Não há a mínima dúvida de que estamos a assistir a uma nova mudança de paradigma relacional entre pais e filhos. Na minha juventude falou-se muito das alterações provocadas pelo pós-guerra nos filhos criados sem pais por terem morrido no conflito. Mas creio que essa “marginalidade” foi ultrapassada pelo surgimento dos hippies, de novas modas musicais, dos novos vestuários, dos novos comportamentos os quais fizeram descer os níveis de rigidez comportamental entre pais e filhos, mas não desfez, em absoluto, os laços de respeito mútuo. Todavia, neste tempo de agora, parece estar em desagregação essa réstia de equilíbrio, deixando-me perplexo perante o futuro próximo, já que nem na escola a autoridade devida ao “saber” merece ser aceite.

 

Tudo isto não é um problema político?

Claro que, para além de sociológico, é basicamente político, pois gera uma grande interrogação sobre o futuro que não vai ser nem igual nem semelhante ao nosso passado ou ao de todos os povos influenciados pela nossa cultura, dita ocidental.

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