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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

06.01.21

Do radicalismo para a moderação


Luís Alves de Fraga

 

O discurso radical, xenófobo, nacionalista, racista parece estar em crescendo entre nós, com uma face bem visível e já com lugar no parlamento.

A pergunta que me assalta é:

‒ Haverá alguma razão para se caminhar para estes extremos?

Por mais que nos custe admiti-lo, há ALGUMAS razões que, no entanto, não justificam o discurso nem as tomadas de posição.

Ao procurar quais são os motivos onde fundamento a afirmação anterior tenho de colocar o dedo em feridas que provocam dor em toda a gente. Vamos a isso, porque fugir da realidade ou procurar tapá-la com um trapo esfarrapado não é honesto.

 

Entre nós há formas larvares de racismo que são exercitadas por brancos e por negros. Uns e outros acusam-se de práticas racistas.

Ao procurar situar socialmente tais actuações julgo poder identificá-las na intercepção da carência de educação elementar com o desfavorecimento de meios financeiros. É a esses níveis que os negros não se sentem bem na sua pele mais castanha, mais escura e os brancos julgam ter alguma superioridade por estarem vestidos com uma pele mais clara! Tirando-lhes esses elementos identificativos, ou seja, para usar o termo certo e violento, esfolando-os, brancos e negros, são exactamente iguais ! Como iguais são outras minorias étnicas, nomeadamente os ciganos e os praticantes das religiões islâmica e judaica.

 

Está hoje mais do que provado por antropólogos e sociólogos que as diferenças existentes entre os Homens são sempre de natureza cultural. O que assusta brancos, negros, católicos, cristãos, islâmicos e judeus é algo muito simples de dizer, contudo, muito difícil de compreender e, mais ainda, de praticar: incapacidade de usar de tolerância, admitindo a diversidade.

O negro, só por ser negro, não é ignorante, nem ladrão, nem assassino, nem trapaceiro. O cigano, só por ser cigano, não é nem ladrão, nem vigarista, nem marginal. O islâmico, só por ser islâmico, não é terrorista, nem bombista. O judeu, só por ser judeu, não é rico, nem capitalista, nem cruel. O branco, só por ser branco, não é racista, nem superior a ninguém, nem dono da verdade.

Há, entre todos os que mencionei, ignorantes, ladrões, assassinos, trapaceiros, vigaristas, marginais, terroristas, bombistas, capitalistas, cruéis, racistas e tipos que se consideram superiores aos outros e donos da verdade. Entre todos há sempre alguém que tem um ou mais destes estigmas. Por conseguinte, não há melhores nem piores.

 

E, para que fique bem claro, o que anima o racismo, a xenofobia e o nacionalismo é o medo do outro, o medo daquele que é diferente.

É a exploração desse medo que leva ao crescimento do racismo, da xenofobia e do nacionalismo nas mais diferentes sociedades.

Mas há que perceber que determinadas práticas proteccionistas das minorias étnicas, quando levadas ao exagero, espoletam o racismo, a xenofobia e o nacionalismo. Essas práticas, ainda que o não digam e afirmem o contrário, estão elas mesmas carregadas de medo, de racismo, de xenofobia e de nacionalismo. Ao favorecer de maneira diferente uma minoria, quando há, entre a maioria, gente que passa pelas mesmas dificuldades que as minorias, está-se a deitar gasolina no fogo!

 

Há que não confundir tolerância e liberdade com injustiça. Tolerar uma religião, praticada por uma minoria, no seio de uma outra diferente, praticada pela maioria, não passa pela imposição dos usos e costumes da minoria levarem à mudança dos usos e costumes da maioria. Ninguém tem de sujeitar ninguém àquilo que não é seu hábito. Tolerar não é pactuar! Tolerar é aceitar sem reservas a diferença sem, no entanto, lhe criar estatutos especiais. E isto ‒ a tolerância ‒ é verdade nos dois sentidos, o mesmo é dizer que tão tolerante deve ser a maioria como a minoria.

 

A tolerância conduz à moderação, por isso é fundamental desenvolver políticas consensuais e, para que elas sejam possíveis, tem de haver equilíbrios, tem de haver bom-senso, tem de haver políticas não radicais ‒ nem de esquerda nem de direita ‒ que ensinem aos cidadãos o que é cidadania.

O bom-senso aprende-se em casa, com a família, na escola, com os professores, nos templos religiosos, com os catequistas, e na sociedade no contacto com todos. A cidadania aprende-se, praticando o respeito, por isso, é absolutamente intolerável haver um deputado que afirme desejar devolver Portugal aos Portugueses, à sua História, fazendo repatriar aqueles que escolheram o nosso país para trabalhar e viver com paz e harmonia. Este indivíduo é uma aberração social, é um incendiário que atenta contra o bom-senso, a democracia, a tolerância e a paz.

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