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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

23.03.19

“Deus e o Diabo”


Luís Alves de Fraga

 

É por este nome que dá um programa televisivo – do qual ontem vi um pouco, pela primeira vez – conduzido por José Eduardo Moniz.

Fiquei estarrecido! Aquilo não é coisa que se passe nas televisões, aquilo é um tempo de antena anti-governo.

 

Realmente, só faltava indicar qual a opção partidária à direita do Partido Socialista (PS) na qual se devia encaixar o programa. Se alguma coisa o Governo fez certo, logo de seguida, sem dó nem piedade, José Eduardo Moniz aponta uma série de defeitos.

Isto não é jornalismo! Isto não é serviço público, nem serviço informativo! Isto é envenenar a audiência para a colocar contra o PS. E não se trata aqui de defender António Costa e o seu agrupamento político, mas acusar uma má prática de jornalismo.

 

Com a proximidade das eleições europeias e de todas as que se lhes seguem, começaram a vir à tona novos argumentos e novas formas de ataque à única fórmula governativa jamais tentada em Portugal, depois de 1974: a da unidade de esquerda, através de um acordo de incidência parlamentar, sem perda de identidade dos partidos que o assinaram. É este Portugal de esquerda que a direita não aceita e contra o qual faz tudo e, contra o qual, usa todos os argumentos.

Um exemplo bem patente desta desbunda do “vale tudo” ouvi-a num programa televisivo onde se sentam, semanalmente, os representantes dos eurodeputados portugueses. Disse o eurodeputado Nuno Melo, filiado no CDS, para atacar a eurodeputada do BE e o eurodeputado do PCP: «Desliguem-se do apoio que dão ao partido minoritário que governa e sejam coerentes com os vossos ideais» (estou a citar de memória, por isso, se as palavras não foram estas, foi este o sentido da sua afirmação).

 

Não é assim que se faz oposição política nem sequer é assim que se faz política. Lastimo que por cá ainda esteja enraizado o espírito trauliteiro do século XIX e do começo do século XX. Isso quer dizer que avançámos muito pouco na nossa maneira de fazer política ou, se calhar, o exemplo que nos chega dos EUA, através das posturas de Trump, quer dizer que por lá se está a regredir na maneira civilizada de fazer política.

 

Tenho pena de que não haja forma de ensinar os políticos a comportar-se na luta partidária, tornando-a numa luta pelo bem-estar dos Portugueses em vez de ser uma luta para conseguir melhores condições para alcançar o ponto de viragem entre a honestidade e a desonestidade.