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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

09.10.19

Depois de reflectir


Luís Alves de Fraga

 

No domingo, já tarde, soubemos os resultados quase finais das eleições legislativas. Nada do que se passou constituiu novidade para mim. Nem a queda vertical e vertiginosa do CDS, nem a do PCP, nem a estabilidade do BE, nem a maioria do PS, nem a radical descida do PSD, nem a espectacular subida do PAN. Nada disto foi novidade para mim.

Poderia, até, explicar algumas das mais estranhas mudanças ‒ descida do PCP, do CDS, subida do PAN e queda do PSD ‒, mas prefiro olhar para os efeitos da abstenção já esperada.

 

Todos nós sabíamos que a abstenção ficaria muito próxima dos 50%, o mesmo é dizer que, para metade dos cidadãos eleitores, a política nada vale. Contudo, criticam a política; a que foi feita pela “geringonça” ou a que foi feita, antes, por Passos Coelho ou a de Sócrates ou a de quem quer que seja. Criticam, porque, no essencial, não estão de bem com a democracia, o mesmo é dizer, com o regime.

Todavia, “não estar de bem com o regime” não corresponde a desejar uma ditadura ou uma governação de extrema direita; corresponde, antes de tudo o mais, a descrer da democracia e das suas virtudes, dos políticos e dos altos e baixos da situação nacional e internacional. Corresponde a dizer qualquer coisa como: «Venha alguém governar-nos sem nos pedir a obrigação de nos manifestarmos; governar para o “bem de todos”, possibilitando-nos uma vidinha capaz de ser equilibrada e descuidada». Este é o sonho dos abstencionistas, porque o seu “pesadelo” está em tudo o que desestabiliza a “tranquilidade” de um dia-a-dia imaginado sem preocupações, sem distúrbios, sem corrupção, sem nepotismos. Um dia-a-dia só existente num idílico sistema político próximo da utopia.

 

Uma utopia que se desenha já lá por fora, de diferentes maneiras, junto de diferentes eleitores, de diferentes Estados, na Europa e no mundo. Uma “utopia” que se pode “chamar” Trump, Bolsonaro, Salvini, Le Pen, Wilders ou Abascal. Uma utopia que se começa a desenhar em Portugal e já tem lugar no nosso parlamento. Tem um nome: Chega; tem uma cara: a de André Ventura.

 

Ventura, tenha sido o que foi, é o político onde se polarizam as esperanças dos silenciosos abstencionistas; é ele ‒ se o souber fazer ‒ quem vai abrir caminho ao “salvador da pátria” em quem sempre os silenciosos e preguiçosos cidadãos nacionais acreditaram; é ele que promete para daqui a oito anos uma viragem. Promete, porque sabe que oito anos é tempo suficiente para se desgastar toda a esquerda ‒ do PS ao PCP, passando pelo BE (porque o orçamento não vai chegar para satisfazer todas as exigências dos mais ambiciosos defensores dos direitos dos trabalhadores e dos Portugueses) ‒ por causa das reivindicações de rua, desorganizadas e inorgânicas ou organizadas e orgânicas, as quais vão “incomodar” os silenciosos abstencionistas. Ele sabe que, em oito anos, os burocratas da União Europeia vão rebentar com o projecto idealizado após o caos da 2.ª Guerra Mundial e o vão “enterrar” na “vala comum” da luta económica entre os EUA e a China. Ele sabe que a sua hora soará quando se reclamar por “tranquilidade na rua e paz nas consciências”, tal como foi sintetizado por Salazar.

 

E o mal do sistema democrático, com as suas liberdades, é que ou sabe “fazer riqueza bem distribuída” ou autodestrói-se, dando lugar a poderes autoritários, xenófobos e nacionalistas.

Quem estiver cá, daqui a oito anos, contará como foi…

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