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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

23.10.22

Da Coreia à Ucrânia


Luís Alves de Fraga

Em 1950, no contexto do final da 2.ª Guerra Mundial e dos acertos territoriais decididos em Ialta entre os três “grandes” (Estaline, Churchill e Roosevelt), iniciou-se a guerra da Coreia, com a invasão da península pela URSS e China. Era, talvez, o primeiro grande sinal da Guerra Fria entre os dois blocos, sendo que o ocidental se fez representar no conflito por uma força da ONU, maioritariamente constituída por tropas dos EUA. Até aos dias de hoje não foi alcançada a paz entre os dois territórios desavindos, o mais que se conseguiu foi um cessar-fogo, dividindo a península em duas partes segundo um paralelo, o 38.º.

Fui buscar este já quase esquecido conflito às prateleiras da História, porque lhe achei semelhanças com a Ucrânia de hoje. E têm-nas a vários níveis: uma região que se identifica com um país vizinho, o confronto indirecto entre as duas superpotências e, talvez mais, e acima de todas as semelhanças, a impossibilidade que se está a traçar entre a Ucrânia e a Rússia de se conseguir uma cedência que conduza à paz, tendo de se caminhar, ao cabo de muito sangue derramado de parte a parte, para um cessar-fogo em vez de uma paz tranquila e estável.

 

Na Ucrânia não vai ser um paralelo, mas um “meridiano” transformado em rio, o Dniepre, que, provavelmente, definirá a linha de demarcação das forças ucranianas em confronto, porque, quase de certeza, a Rússia endossará aos russófonos do Donbass, autónomos e invocando a separação, a obrigação de se defenderem, depois de lhes terem proporcionado as condições políticas para fundamentar as suas reivindicações, que vão no mesmo sentido dos desejos russos.

Mas, entretanto, durante o tempo em que se desenvolverem operações militares activas o peso da guerra afectará toda a Europa, levando-a ao descalabro económico e, se calhar, político. Foi o que aconteceu no Oriente distante, nomeadamente na Indochina: Vietnam, Camboja e Laos, onde a instabilidade campeou durante mais de uma dezena de anos.

São realidades diferentes, dir-nos-ão! Pois são e nem aqui é o Oriente nem os europeus são indochineses, tal como uma semelhança não é uma igualdade. A semelhança reside na impossibilidade de, neste momento, não se vislumbrar uma ténue esperança de cessarem as operações militares, bem pelo contrário, os russos estão a desenvolver a estratégia militar mais apropriada a vergar a vontade dos ucranianos, levando-os à desistência do combate. Estão a destruir toda a vontade de combater perante um Inverno que se avizinha frio e desastroso. Não tenho dúvidas, qualquer general português, calçando as botas de qualquer decisor militar russo, mandaria fazer o mesmo que estes estão a levar a cabo. É um princípio da guerra. Estupidamente, os EUA, o Reino Unido e, agora, a Alemanha fornecem armamento e, se calhar, assistentes militares para auxiliar os ucranianos de modo a prolongar a guerra até ao limite do possível, isto é, até não haver mais soldados da Ucrânia em condições de pegar em armas. Virá, depois, o cessar-fogo em vez de uma paz que poderia ser tratada agora ou ter sido mantida sempre não fosse a teimosia de Washington em estender a NATO até aos limites impostos pelos “falcões” do Pentágono.

 

Para vos compensar, deixo-vos com uma só pergunta:

‒ E se os Estados europeus da NATO se tivessem negado a acompanhar os EUA nesta aventura, acreditando mais no muito que a Rússia tinha a ganhar com um bom relacionamento com a Europa, o que teria acontecido?

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