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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Convivência democrática

 

Há muitos anos – cinquenta, para ser exacto – quando comecei a estudar Ciência Política, embora se vivesse entre nós, ainda, em ditadura, tive a sorte de poder fazer explorações bibliográficas e ouvir um grande Mestre – Adriano Moreira – sobre temas que me foram facilitando a compreensão da democracia (os nossos livros de apoio eram maioritariamente em francês e de autores franceses). Ter-se-á de levar em conta que a 2.ª Guerra Mundial tinha acabado há pouco mais de vinte anos e as feridas sociais e políticas estavam bem vivas. Tudo, em conjunto, contribuiu para me ajudar a sedimentar convicções científicas e vulgares.

 

Nessa época, por cá, estava a dar “frutos” a cultura do partido único, a qual se traduzia na aceitação de que “quem não está connosco, está contra nós”. Assim, entre uma grande massa de politicamente indiferentes, aceitava-se que o pior partido político era o comunista e, entre os mais esclarecidos, consentia-se na ideia de ser possível construir uma democracia com exclusão do partido que “obedecia a Moscovo”, sendo, por isso, antipatriótico.

A prova da minha razão está na intransigência de o general Humberto Delgado, já na clandestinidade, se entender com o PCP, na incapacidade de o general Spínola aceitar os comunistas, dentro do quadro da democracia nascente, e na aversão de Alberto João Jardim aos comunistas, já em democracia. Isto não é por acaso, nem resultado de situações pontuais. Isto é, no seu mais completo e amplo esplendor, o “fruto” da cultura fascista, que lenta, mas de forma segura, soube inocular nos Portugueses o anticomunismo.

 

Naturalmente e fazendo apelo, também, à minha formação enquanto historiador, não estou a “branquear” o comportamento do regime soviético para lá da “Cortina de Ferro”. Não é isso que eu discuto nem é isso que estou a analisar! O que discuto e o que analiso é o comportamento dos comunistas no seio da ditadura fascista, em Portugal. Mas analiso, também, os efeitos, ainda hoje visíveis, dos Portugueses face aos comunistas como resultado da injecção dos ideais fascistas na nossa sociedade.

 

Nas minhas reflexões e análises tenho concluído que a herança fascista se tem prolongado no tempo, muito mais do que seria expectável e muito para além das gerações populacionais vítimas directas da sua acção. Este facto não me assusta, todavia, deixa-me triste, pois tenho de concluir, também, que o regime democrático, pluralista, não tem sido capaz de enraizar na sociedade portuguesa o mais importante princípio da tolerância: a capacidade de convivência pacífica e tranquila entre ideologias aptas a viver em liberdade.

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