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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

10.01.19

Contradições


Luís Alves de Fraga

 

Propositadamente, tenho evitado comentar a actividade do Presidente da República, pois, por ser inédita a sua furiosa presença em todos os acontecimentos nacionais, julgo, só nos devemos congratular visto termos, finalmente, próximo do “homem da rua”, do comum cidadão, um detentor de cargo político que, não por acaso, é o Supremo Magistrado da Nação.

Mas, parece-me, tudo tem limites, os quais podem estar paredes-meias com o ridículo ou a contradição. Julgo, o limite de Marcelo Rebelo de Sousa foi atingido quando resolveu felicitar uma apresentadora televisiva, que iniciava novo programa.

“Espera aí”, pensei de mim para mim. Isto está a ir longe demais e o Presidente está a chegar ao limite do possível, porque, daqui para a frente, seja o que for que diga ou faça é tão vulgar, tão sem importância, que raia a contradição, ou seja, surge como o contrário daquilo que ele deseja – creio eu, aceitando a honestidade de princípios do jubilado Professor!

 

Eu podia ter feito este mesmo comentário há dias. Não o fiz para ter tempo para meditar sobre o meu juízo.

Será que os “excessos” do nosso Presidente são, realmente, uma contradição? Não estará ele, simplesmente a acompanhar o ritmo das contradições políticas do nosso tempo no nosso país?

Sigam, por favor, o meu raciocínio.

 

Primeira grande contradição: um Partido Socialista (PS), que sempre se caracterizou por ser anticomunista, aceitou fazer um acordo político de incidência parlamentar com o Partido Comunista Português (PCP) e o Bloco de Esquerda (BE)! E têm vivido bem os anos da legislatura.

Segunda grande contradição: o PCP, principal acusador das políticas de direita do PS ao longo dos anos – e são mais de quarenta –, aceita entender-se, no parlamento, com os socialistas, votando-lhes a maioria das propostas legislativas, incluindo os orçamentos.

Terceira grande contradição: a direita parlamentar, representante da direita eleitoral, é absolutamente incapaz de se organizar para, depois de ter ganho as eleições, atrair para a sua órbita o partido mais votado, o PS, mantendo-se, até agora, desorganizada e ineficaz.

Quarta grande contradição: os sindicatos, com manifesta ligação partidária aos grupos políticos parlamentares de apoio ao Governo, são incapazes de conter as reivindicações, de modo a evitar e aumentar as contradições políticas.

 

Podia continuar nesta descrição de inesperadas contradições, mas as que ficam expostas chegam, creio eu, para demonstrar que, afinal, o nosso Presidente só quer estar na “crista da onda”, não perdendo o pé nem o equilíbrio neste tempo de aceitação de “isto e do seu contrário”, fazendo dele o mais inteligente do todos os políticos portugueses até hoje surgidos, depois de 25 de Abril de 1974.

Feliz o País e o Povo que tem um Chefe de Estado com tais capacidades e tal gabarito!