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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

05.05.19

Consultas médicas ao minuto


Luís Alves de Fraga

 

Há por aí um anúncio que apresenta umas velhotas a dizer que são do tempo não sei de quê. Pois eu, não sendo velhote, sou do tempo em que ir ao consultório de um médico era, de certa forma, ter garantido um ouvido pronto a escutar e uma série de procedimentos a serem executados pelo clínico. Ele media a tensão arterial, auscultava, palpava, pesava, espreitava para as mucosas oculares, olhava para as unhas das mãos, verificava a existência de gânglios linfáticos, fazia perguntas, tomava notas e mais um ror de coisas, que me não ocorrem. Claro, também mandava fazer exames complementares ou auxiliares de diagnóstico, todavia, não se eximia à prévia detecção de sintomas que o colocavam na pista da doença. Os tais meios eram mesmo, e só, auxiliares de diagnóstico, porque a diagnose era feita pelo físico encartado.

 

Há dias fui a uma consulta, num gabinete médico privado, cujas entrevistas estavam intervaladas de quinze minutos. Eu disse bem, quinze minutos!

Estes são os “turbo clínicos” da actualidade, assim designados por mim, recordando-me dos “turbo professores”, que leccionavam em várias universidades, acumulando salários causadores de inveja. Estes médicos, refugiados atrás de uma firma comercial em cuja contabilidade fazem figurar desde o automóvel de família até ao fogão XPTO da cozinha lá de casa – porque nada é deles e tudo é da “empresa” – fogem ao fisco “à valentona” e, porque precisam de pagar as despesas com o pessoal, o material e os consumos, poucos, do consultório, fazem-se cobrar como se dispusessem de todo o tempo do mundo para levar a cabo uma boa consulta, mas, encurtam-na, juntando, ao fim da jornada, uma excelente maquia. Façam a conta a quinze minutos pagos a sessenta, setenta ou, até, oitenta euros quanto dá depois de quatro ou cinco horas de trabalho!

 

Curioso é que a Ordem dos Médicos quer impor ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) um tempo – dilatado – para a duração das consultas e, por arrasto, o mesmo aos hospitais privados, mas não leva em conta a actividade “particular” dos seus associados nos respectivos consultórios ou clínicas. É a “protecção” corporativa a funcionar!

 

Este assunto é grave, muito grave, porque põe em causa o bom exercício da actividade clínica dos médicos, acabando por fazer deles máquinas de sacar dinheiro aos pacientes sem lhes darem completa garantia de uma atenção e de um cuidado que eles, enquanto pagadores e padecedores, merecem.

 

Destas coisas não se fala e, muito menos, nos corredores da política!