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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

12.10.19

Causas da decadência europeia


Luís Alves de Fraga

 

Já toda a gente percebeu que, de há anos a esta parte, a democracia, tal como foi vivida no mundo durante os últimos anos do século XIX e no século XX, está em crise. O modelo está em fase de esgotamento, do mesmo modo que aconteceu no após Grande Guerra. Eu diria que, globalmente, o modelo dos anos cinquenta do século passado, está a viver as consequências do final da Guerra-Fria. E, na Europa, isso é bem notável com o reforço da direita parlamentar.

 

Se o aparecimento do “equilíbrio do terror”, centrado nas duas superpotências, foi um garante da tranquilidade e do bom desenvolvimento da democracia, o seu desaparecimento possibilitou um desenfreado crescimento de um capitalismo bárbaro capaz de explorar mão-de-obra em condições desumanas e, até, infra-humanas para aumento do consumo nas áreas onde o acesso ao mercado é fácil. Mas não se ficou por aí a acção do grande capitalismo: ele imiscuiu-se na política de uma tal forma que a colocou ao seu serviço de modo descarado.

 

Neste novo quadro, a Europa, que deteve, até ao fim da primeira metade do século XX, as rédeas da economia mundial, foi ultrapassada pelos EUA ‒ graças ao descalabro da 2.ª Guerra Mundial ‒ os quais, depois da implosão da URSS, estão a ser ultrapassados pela China, potência emergente de ideologia política sem contornos definidos segundo os padrões herdados do século XIX.

O centro de decisão da política mundial, depois de ter passado da Europa para a América, está em transição para o Oriente e, dentro deste, para a China. A luta desesperada e errática de Donald Trump é uma consequência de, nos EUA, para além de armamento, já quase nada por lá se produzir, no domínio industrial, capaz de estancar o franco desenvolvimento chinês. E se os americanos não conseguem tal desiderato, muito menos o são capazes de alcançar os europeus!

 

O que dividiu a Europa foi aquilo que nunca a manteve una: a existência de culturas nacionais distintas. Na ideia de unidade europeia, cada Estado procurou o seu próprio bem-estar, mantendo as desigualdades e não primando por estender a todos a política do “welfare” (prosperidade). A Europa caminhou, politicamente, no rumo que mais convinha aos grandes interesses financeiros: um mercado livre onde imperasse a livre concorrência. Falhou!

Não era por aí que deveria ter ido, depois de ter percebido as causas da Grande Guerra e as da 2.ª Guerra Mundial. O único caminho para atingir o fim desejado por quem queria a paz era ter avançado para uma política de intervenção do Estado ‒ o mesmo é dizer, dos órgãos comunitários ‒ na economia, levando a uma justa e equilibrada distribuição da riqueza ou do que ela proporciona pelas populações dos membros integrantes.

O erro foi ter permitido que os Alemães, Franceses, Belgas, Holandeses e outros vivessem financeira e socialmente muito bem e os povos dos Estados pobres vivessem muito mal, dentro da relatividade da comparação. Os órgãos centrais da CEE ou, depois, da UE só sabiam um caminho: o do mercado. Dentro deste, a intervenção política limitava-se ao controlo das taxas de produção de modo a evitar concorrências internas. Esqueceram a defesa dos “ataques” externos, provenientes da carência de matérias-primas não produzidas dentro do espaço europeu. Esqueceram a pobreza dos Estados mais pobres. Podiam ter praticado uma política social-democrata, mas praticaram a política capitalista.

 

Hoje, os Estados ricos não querem ceder nada aos Estados pobres e o paradigma político tende a modificar-se, dando lugar aos nacionalismos e aos populismos.