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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Cargos públicos

 

Há uma geral tendência para usar de especiais deferências para com os cidadãos políticos que desempenham cargos públicos resultantes de actos eleitorais. Não é só em Portugal; é um pouco por todo o mundo. Ora, acontece que discordo frontalmente desta atitude deferente. Passo a explicar.

 

Um cidadão, que se envolve politicamente num partido, pode ter um de dois objectivos ou os dois ao mesmo tempo: activamente contribuir para a aceitação da ideologia do partido e/ou para conseguir alcandorar-se a um cargo político por simples escolha ou por eleição popular.

 

Seja qual for o objectivo pessoal há sempre, na aparência, um objectivo nacional mais vasto e dignificante: servir a causa pública. Esse é o motivo que os futuros servidores do Povo e do Estado invocam para conseguirem votos suficientes para se alcandorarem aos lugares ansiados.

Alcançado o objectivo, verifica-se um fenómeno curioso: o eleito, que se propunha servir o Povo eleitor, ganha uma “importância” que o leva a distanciar-se do eleitorado, tornando-o de difícil acesso a quem nele confiou. Mas, muito pior, ocorre um outro fenómeno: os eleitores aceitam pacificamente esse distanciamento e esse ganhar de “importância”, reverenciando, quase sempre, aquele que se fez eleger para os servir.

 

Como se vê, há uma perversa inversão de valores por parte de todos os actores no processo de eleição dos servidores do Estado. Isto acontece, como já antes disse, geralmente, em todos os países democráticos. É uma inércia que, quanto a mim, provém do regime monárquico absoluto, quando o rei era o soberano e a nobreza recebia poderes senhoriais sobre o Povo.

 

Imaginemos qual seria o nosso tipo de comportamento se aceitássemos, em sentido absoluto, que os políticos eleitos são, somente, nossos SERVIDORES, e que, por isso, são eles a deverem-nos respeito, estando sempre disponíveis para tudo aquilo que lhes fosse exigido.

Reparem como tudo se inverteria e como o nosso comportamento se alteraria.

Ainda estamos muito longe de viver, REALMENTE, a democracia.

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