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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

BREXIT

 

Depois de ter ido a referendo a saída da Grã-Bretanha da União Europeia (UE) o descalabro governamental em Londres é colossal. Ninguém se entende à volta do acordo conseguido há dias, em Bruxelas.

 

Isto prova, quanto a mim, que a entrada na CEE, em 1973, foi obra da vontade de grupos de pressão e de partidos, confirmada por um referendo em 1975. Mas, em 2016, a resposta, já depois da existência da UE, ao referendo foi pelo abandono.

E sair, porquê? Porque se apelou ao sentido patriótico sem explicar à exaustão as consequências da saída.

 

Poderão estranhar que seja eu a dizer isto, pois sempre me tenho afirmado eurocéptico. E sou! Todavia, tenho o cuidado de explicar que o sou por não acreditar na vontade popular dos países em perderem soberania, em especial a soberania que os diferencia uns dos outros. Não duvido, antes pelo contrário, aceito que um mercado comum é, e será, benéfico para as relações de todos os Estados europeus, mas não mais do que isso! Era por aí que devia ter ficado a “construção europeia” e, com isso e só isso, provavelmente, os britânicos não teriam tido necessidade de se interrogarem sobre a Europa.

 

Para se compreender a relutância britânica – e, também, a minha – a todos os entendimentos com a União Europeia, há que recordar que Londres não aderiu, de imediato, à ideia que criou a CEE, pois fundou, em resposta a esta, a EFTA (área de comércio livre) da qual Portugal fez parte logo de início, em 1960. Os Estados associados comprometiam-se em deixar circular entre si os produtos sem os sujeitar a impostos aduaneiros. Era um processo de ganhar mercados e descongestionar os embaraços na circulação das mercadorias.

 

Como se vê, tudo girou no final dos anos 50 e começo dos anos 60 do século passado, à volta do comércio e nunca à volta de soluções políticas supranacionais, em especial, com declarada interferência nos negócios internos dos Estados. A mudança qualitativa da CEE para UE deveu-se à vontade dos burocratas europeus, que viam, na criação de uma estrutura política mais abrangente, oportunidades ímpares de fazer carreira fora dos seus países e de auferirem pingues rendimentos e elevados estatutos, muito distantes daqueles que alguma vez teriam se se confinassem aos seus Estados. A União Europeia é uma construção distante dos povos dos países que a compõem.

A consolidação de tratados comerciais com livre circulação de pessoas e bens era suficiente para manter a paz no Velho Continente, fazendo dele um grande mercado produtor e consumidor, através de políticas comuns devidamente discutidas, acautelando em cada Estado o seu crescimento e desenvolvimento.

 

O BREXIT é uma porta aberta para o desequilíbrio da Europa ou para a aparecimento de novas formas de cooperação económica, que vão fazer definhar a ideia de União Europeia.

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