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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

08.10.18

Brasil e o fascismo


Luís Alves de Fraga

 

Propositadamente, guardei-me de tecer comentários sobre a situação política brasileira, antes das eleições, porque havia que perceber o acontecimento depois de ocorrer.

Pode perguntar-se qual o fundamento justificativo dos resultados eleitorais de ontem. E a resposta é consequência da escolha dos Brasileiros. Vejamos.

 

Embora a grande maioria de nós, que estamos fora do Brasil e não somos brasileiros, pensasse que a derrota de Bolsonaro era o mais conveniente, temos de verificar que aquele imenso país da América do Sul atingiu o patamar mais baixo da democracia, quando os valores éticos e morais quase desapareceram no plano individual e estão em fase de decréscimo no plano colectivo. A corrupção atravessa toda a sociedade civil brasileira, o “vale tudo” é a moeda corrente no Brasil, a começar na Justiça, que devia ser o último bastião do equilíbrio da nação.

Bolsonaro surgiu a fazer o discurso dos valores – mesmo que medíocres –, da moral – mesmo que falsa –, de liberdade – mesmo que reduzida –, da virtude – mesmo que ausente. Bolsonaro fez o discurso messiânico de salvador da Pátria. Apoiou o seu discurso no exemplo – absolutamente falso – das “virtudes” dos militares que impuseram a ditadura aos Brasileiros. Apoiou o seu discurso na condenação do maltrapilho, na aceitação da xenofobia, no apoio à tortura, à prisão discricionária, no combate à “imoralidade” de costumes.

 

Quando Bolsonaro usa toda esta panóplia de argumentos ele está a discursar para uma maioria muito bem definida: a classe média brasileira, aquela que se sente lesada com a corrupção, que admira a ordem e o recato, a moral de costumes tradicionais, a segurança em casa e na rua, que valoriza a tradição, seja ela o que for.

E Bolsonaro ganhou, como era de esperar, a maioria relativa. Acima de tudo, porque as Forças Armadas brasileiras, colectivamente, acham que chegou a “sua hora” para repor a disciplina na sociedade.

 

Curiosamente, o que vai acontecer, se Bolsonaro vencer e puser em marcha a sua “máquina de repressão”, é que a mesma classe média, que agora votou e poderá votar nele, vai repudiar a “mão pesada e forte” de um Governo “musculado”, um Governo que vai governar anulando as oposições, as vozes discordantes. Mas, nessa altura, já vai ser tarde!

 

Assim, resta à classe média brasileira, uma só oportunidade de evitar o descalabro: negar o voto a Bolsonaro, dando-o a quem for preciso para manter, mesmo com todos os defeitos, a democracia no Brasil.