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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

22.05.24

Branco mais Branco não há


Luís Alves de Fraga

 

Não acredito que seja consequência da minha idade, pois ainda sou muito capaz de aceitar “modernices” (para mim não o são) que outros “jovens” com os meus oitenta e três anos repudiam veementemente. Não, não é da idade, mas realmente, até alguns dos “rapazes” de cabelos brancos, que se vão vendo na política, parecem-me imberbes para os cargos que ocupam ou para as responsabilidades que têm. O que me leva a assim concluir são os disparates que oiço e vejo na televisão proferidos por tais “meninos” e, a este propósito, mas fora do âmbito da política, vem uma história que em tudo se aplica ao caso vertente. Não resisto em contá-la.

Há dias, de conversa com um general do Exército, entrado na Academia Militar no mesmo mês e ano que eu (Outubro de 1961), dizia-me ele, quando eu criticava a atitude de determinado general muito mais novo do que nós, com o seu ar displicente: ‒ Eh pá, não te esqueças de que ele ainda mijava nas fraldas quando nós já éramos oficiais!

Afinal é exactamente assim que teremos de pensar quando analisamos as atitudes de muitos dos políticos no activo: eles ainda andavam de fraldas ou de calções quando já tomávamos decisões graves para nós e para quem de nós dependia.

E vem isto ao caso porque o Presidente da Assembleia República, Dr. Aguiar Branco (que já foi ministro da Defesa Nacional) ter aceitado uma afirmação deselegante, estúpida, descabida e xenófoba de André Ventura, chefe de fila do Chega, sobre os turcos. Ter aceitado depois de chamado à atenção para a alarvidade sociológica, política e cívica do líder da extrema-direita portuguesa.

Dizer que os ingleses são pontuais, os italianos faladores, os portugueses bêbados e os alemães trabalhadores não passa de um estereótipo que, por definição, é uma generalidade incorrecta sem qualquer fundamento científico. Logo, entra no campo das adjectivações desqualificativas, porque se tornam facilmente ofensivas.

 

Quando Aguiar Branco é interrogado pelos deputados e, até, pelos órgãos de comunicação social sobre a liberdade de expressão que permitiu a André Ventura, no parlamento, afirmar que a democracia dá a possibilidade de cada qual expressar o pensamento como entender e que a ele, no cargo que ocupa, não lhe cabe fazer censura, está a incorrer no erro de ignorância por desconhecimento do que é a ordem, o bom-senso e a correcta expressão política dentro da Casa que nos representa.

Assim, prosseguindo Aguiar Branco por este caminho, não lhe reconheço o direito de ser o Presidente da Assembleia da República, porque não me revejo na libertinagem oratória em que ele está a transformar um lugar que deve ser exemplo de civismo e de defesa dos interesses do Povo.

Ao conceder tais liberdades ao mais travesso dos partidos políticos que há quarenta e nove anos passaram pelo parlamento, Aguiar Branco, dando de si próprio uma imagem civicamente ignorante, protege o Chega na sua desbragada forma de estar em sociedade, deixando, por conseguinte de ser o “fiel de uma balança” de dignidade para ser igual ou pior a André Ventura e aos seus deputados arruaceiros. Foi deste modo que os fascistas, em Itália, dominaram o parlamento romano e se assenhorearam do poder, através da imposição do medo na rua e, depois, no parlamento, especialmente, em seguida ao escandaloso assassinato do deputado antifascista Giacomo Matteotti. É para aí que queremos ir?

Hoje, bem cedo, chegou-me ao computador a mensagem resumo do jornal “El País”, da qual transcrevo:

 

«(Javier Milei, Presidente da República Argentina) disse: que se estabeleceu como um defensor global da liberdade, apesar de ter acabado de implementar uma das suas medidas mais controversas: silenciar os meios de comunicação públicos. E atribuiu a crise a uma conspiração de Sánchez com a oposição peronista. Delírio político ou cortina de fumo?

Mar Centenera (uma jornalista espanhola) explica que com este confronto espetacular Milei tenta encobrir as suas muitas frentes internas e as dificuldades em aprovar a lei de desmantelamento do Estado.»

 

O senhor Dr. Aguiar Branco ou anda muito distraído ou está a preparar-nos o “futuro”!