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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

26.04.22

Barbas a arder


Luís Alves de Fraga

 

Pois, diz o nosso povo ‒ ou dizia, quando era sábio, para compensar o seu imenso analfabetismo ‒ que devemos pôr de molho as barbas quando vimos as do vizinho a arder. Ora, o que arde neste momento é a Ucrânia, um Estado do Leste da Europa… A Leste, mas da Europa, porque se fosse na África Austral ou na América do Sul ou na Índia a coisa não nos afectava, não nos dizia respeito, mas é aqui, quase ao virar da esquina e, então, tudo nos alerta para as tais barbas, a bacia e a água.

 

Hoje de manhã, na Antena 1, vários experts, entre os quais não faltava o inefável Ângelo Correia ‒ e já vamos perceber o porquê ‒ discutiram uma hora, ou talvez mais, a questão das nossas Forças Armadas. Exíguas Forças Armadas que, na minha opinião, estão quase desarmadas… Mas eu não sou, nem quero ser, um perito em tais assuntos e, de meios de defesa e segurança já ando tão arredado que não me arrisco a dizer muito para não mostrar o quanto tudo isso está ultrapassado em mim.

Disseram-se coisas interessantes, chamou-se a atenção de quem de direito ‒ o Primeiro-ministro ‒ para a necessidade de se dar uma razoável dimensão às tropas que garantem a nossa segurança e a nossa defesa; de se evitarem as duplicações de funções entre GNR e Marinha, por exemplo; de se adquirir ou reparar convenientemente os sistemas de armas que estão inoperativos ou comprar aqueles que fazem falta. Mas disse-se algo que é muito importante: não podemos, não devemos, ficar à espera da definição do conceito estratégico de defesa da NATO para definirmos o nosso conceito estratégico nacional.

 

Este último aspecto, sem desprezo pelos anteriores, foi aquele que mais me chamou a atenção.

Porquê?

Pela simples razão de que os aliados de hoje podem ser os indiferentes de amanhã, podem ser os que assobiam para o lado e disfarçam as suas obrigações com discursos lindos de solidariedade, de amizade e… vai-te tratar, porque não tenho aqui remédios para ti!

O exemplo das sansões aplicadas à Rússia e que são a todos os segundos de cada dia boicotados pela Alemanha, pois continua a comprar-lhe gás e petróleo para satisfazer os seus interesses nacionais, sem prejuízo dos alemães, é bem evidente do que são e como são tratadas as prioridades nacionais, mesmo quando se pretende dizer que se está politicamente solidário com um Estado, com um conjunto de Estados ou com uma União de Estados.

 

Não sei se por ingenuidade, se por conluio de momento, se por desleixo, esta lição não a aprendem os nossos políticos, governantes ou opositores, porque, realmente, parecemos pedintes de mão estendida quando se trata de pensar nos nossos interesses nacionais e, acima de tudo, de os defendermos.

Isto é Estratégia Nacional, isto tem de estar contemplado no nosso conceito estratégico, que não passa só pela defesa militar; passa pelo conceito de segurança que vai muito mais longe do que a linguagem das armas, pois, para além de outros meios, pode usar a economia, a demografia, a agricultura, a indústria, a pesca, a energia e tudo aquilo que afecta o bem-estar do nosso povo, que somos todos, sem excepção.

Vamos lá ver se arranjamos uma bacia suficientemente grande para pormos as nossas barbas de molho.