As pequenas fissuras
Não vou ser longo para não vos cansar com a lengalenga do costume sobre esta guerra e os efeitos colaterais que já provocou e continuará a provocar.
Quando chegar ao fim o conflito bélico declarado entre a Rússia e a Ucrânia nós, na Europa e no chamado «mundo ocidental», estaremos diferentes e procuraremos soluções estratégicas diferentes. Claro que, por não ser adivinho nem me arriscar em prognósticos sem fundamentos, não sei se esta diferença será mais intensamente vivida nuns lados do que noutros. Contudo, tenho a noção de que se vão sentir alterações na política externa de todos os Estados europeus, algumas delas irreparáveis. E já começam a estar à vista.
Hoje, em Espanha, há sinais de desagrado. A OTAN vai fazer uma reunião com responsáveis das indústrias de guerra dos Estados integrantes, mas não convidou os das indústrias do país vizinho. Resultado: retaliação imediata da ministra da Defesa, que já declarou a sua ausência da reunião.
Isto não é nada. Mas isto indicia o que vai ser o futuro, pois da junção de pequenos problemas faz-se um grande problema e desse até ao surgimento de uma quezília entre Estados ou Estados e organizações vai um passo.
Não creio que em Portugal se dê grande importância a pormenores como estes, no entanto, era bom estar com um olho aberto, pois é assim que tudo pode nascer e um bom serviço de informações tem de avisar a tempo para, com tempo, se definir a forma de actuar.