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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

09.04.19

As nossas Forças Armadas


Luís Alves de Fraga

 

Ao longo dos séculos, quando se olha para o Exército de Portugal percebem-se várias coisas: teve utilidade enquanto durou o estado de guerra, logo após foi desprezado e reduzido a uma insignificância confrangedora; serviu sempre, em tempo de paz, como adorno social para fazer passear fardas mais ou menos bonitas; foi, até há poucos anos, utilizado como força repressora ao serviço do poder político.

Da nossa Marinha, até ao começo do século XIX, pode dizer-se quase o contrário, na medida em que sempre esteve pronta para intervir na defesa dos interesses comerciais espalhados ao longo das costas do Brasil, de África e no Oriente. A grande machadada foi-lhe dada com a introdução da energia a vapor e a construção dos navios em ferro. Depois, nas centúrias de oitocentos e de novecentos, com a revolução industrial, acabou a nossa Armada por se equiparar à situação do Exército: valer pouco e para pouco servir.

 

Depois da descolonização, na sequência do golpe militar de 25 de Abril de 1974, mais uma vez se foi cumprindo a “sina” portuguesa: desinvestimento na defesa nacional. Começou-se por reduzir o tempo de serviço militar, depois acabou-se com o serviço militar obrigatório, criou-se um Exército permanente – muitíssimo mais caro, que, por isso, foi “encolhendo” – hoje completamente incapaz de ser um instrumento independente de defesa ou, sequer, de dissuasão. O investimento em material, pessoal e instrução é ínfimo para poder qualificar a nossa defesa, no mar, em terra ou no ar como algo credível. Até, pela natureza da evolução política, já nem como elemento de repressão interna as Forças Armadas têm qualquer tipo de valia. Neste particular, felizmente.

 

Então, com propriedade, poder-se-ia deixar a interrogação: “Para que servem as nossas Forças Armadas?”

Julgo que nem mesmo os políticos sabem dar uma resposta medianamente correcta e aceitável. Contudo, as nossas Forças Armadas continuam a existir por uma razão política, muito discutível, mas absolutamente imperativa: representar Portugal onde e como necessário!

 

São representativas as nossas Forças Armadas; representam-nos nas forças de paz organizadas sob a égide da ONU, nos conflitos de baixa intensidade sustentados pela União Europeia ou pela NATO.

Realmente, antes do começo da Guerra Colonial, em 1961, Forças Armadas serviam para abrilhantar as procissões mais importantes de algumas cidades do país, desfilando ao som das bandas militares. Era bonito! Hoje, as nossas Forças Armadas não entram em procissões religiosas, mas entram noutras “procissões”: as dos conflitos que impõem aos nossos governantes os governantes dos Estados mais importantes com interesses a defender lá por fora! Ou seja, as nossas Forças Armadas – na sua baixa eficiência – servem para “fazer as guerras” dos outros e onde, muito vagamente, Portugal recebe algum tipo de benefício.

 

Estas Forças Armadas são, como se vê, mero instrumento da política internacional portuguesa, para, como agentes “diplomáticos”, conseguirem as vantagens que alguns – muito poucos – vêem na sua minúscula intervenção.

Este facto leva-nos a cortar, por outro lado, com uma tradição diplomática secular: a não intervenção de Portugal nos conflitos europeus quando não estava em causa a defesa da independência e da soberania nacional ou a defesa do direito de posse de colónias.

 

Julgo ser tempo de inverter toda concepção de defesa nacional, dando mais peso e ênfase às Forças Armadas sem nos envergonharmos delas nem do serviço que prestam e prestarão a Portugal quando se tiver de defender os reais interesses da Nação.