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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

11.12.18

As minhas opções políticas


Luís Alves de Fraga

 

As minhas últimas reflexões, têm provocado opiniões diversas por parte dos leitores, razão que me leva, também, a deixar-vos uma explicação sobre as minhas opções políticas.

 

Quando digo ser de esquerda quero afirmar que o meu quadro ideológico se limita pela luta contra a miséria, a pobreza, a marginalização social, a carência de assistência sanitária, de educação e instrução gratuita ou facilmente acessível para todos, a falta de oportunidades para chegar ao limites das possibilidades intelectuais, a ausência de habitação condigna, a descriminação social, enfim, contra tudo o que pode reduzir a capacidade de usufruir de mediana felicidade na vida.

Sei que tal luta tem de ser enquadrada por uma acção política a desenvolver por um ou mais partidos. E é aí que eu “encalho”, pois, compreendendo o que é a “liberdade colectiva” gosto, admiro e defendo a liberdade individual. Ou seja, há partidos que imaginam a realização da justiça social depois de reduzirem ao silêncio a liberdade individual em nome de uma liberdade colectiva – dito de outra maneira, uma liberdade individual num determinado contexto que se tem de sujeitar à vontade da “liberdade” do colectivo sem dela poder discordar. Para esses partidos, de uma maneira ou de outra – quer sejam mais revisionistas ou menos – impera uma massificação opinativa, sendo que a discordância é anti-revolucionária.

 

Há partidos que visam a satisfação da justiça social sem recorrer à limitação da liberdade individual, porque vêem nela a possibilidade de denúncia de erros políticos e de melhoria do sistema. São partidos que pretendem realizar o melhor de dois sistemas: a liberdade e a justiça social. E conseguem-no fazer através de processos fiscais onde os grandes investimentos capitalistas aceitam ser taxados para serem servidos com mais eficiência e produtividade. Mas, também, conseguem-no fazer através de uma educação social onde cada cidadão não quer ser mais “esperto” do que o outro, aldrabando e corrompendo o sistema para ter mais benefícios. Trata-se da criação de uma sociedade onde a educação visa o respeito pelo social e pelo colectivo; é um sistema para gente que quer ser identificada como honesta e não como gente corrupta e corruptível. É um sistema que assenta na capacidade de diálogo e não na imposição de vontades através de lutas amarfanhantes. É um sistema que começa na escola e na tenra idade, em casa e no leite materno. É um sistema que não aceita atropelos, mas gera oportunidades.

 

Há partidos políticos capazes de vencer eleições e gerarem administrações públicas com as virtudes enunciadas. São partidos cuja preocupação começa na revolução educativa do povo e não na revolução reivindicativa dos trabalhadores. São partidos que cultivam o respeito pelo individual e colectivo. São partidos que defendem o “auto-policiamento”.

 

Essa é a minha esquerda! Mas, na falta dela, aceito a que temos, desde que me respeite, e voto como achar conveniente em cada um dos partidos que a compõem; quando não me respeitar, abstenho-me de votar, de falar e, se tiver vida e saúde, exilo-me algures onde possa expor o meu pensamento.

 

Portugal está longe da revolução que eu descrevi. Está longe e duvido que a queira! Alguns aceitam, por comodismo e, se calhar, por convicção, a outra revolução, a que amarfanha a liberdade individual e que nunca há-de chegar! Entretanto, reivindicam e desequilibram a possibilidade de caminharmos lentamente para a revolução educativa. Mas, sobre essa, escreverei um dia destes.

 

P. S. Vamos lá esclarecer aqueles que andam à "procura" do partido capaz de reunir aquilo que exalto.
Esse partido será sempre de matriz à esquerda, por causa do pendor humanista, mas terá de ser "revolucionário", porque a primeira condição para poder existir é a de fazer a "revolução" educativa, em casa e na escola, pois só assim se geram cidadãos capazes de integrarem Valores e Princípios, que os tornam responsáveis, sérios, honestos, trabalhadores, ponderados, respeitadores de direitos e OBRIGAÇÕES.
Esses ideais já se cultivaram em Portugal, mas foram torpedeados pela força do OBSCURANTISMO, que saiu vitorioso em 28 de Maio de 1926, quando a ditadura se impôs à República.
Depois de 25 de Abril de 1974 nunca mais ninguém deu vigor verdadeiro à aprendizagem da CIDADANIA e do que ela representa na República para a conservação da Democracia.