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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

11.08.22

As loucas exigências


Luís Alves de Fraga

 

É próprio das crianças e dos jovens adolescentes a incapacidade de limitar as exigências juntos dos pais e, algumas vezes, dos avós quando estes cedem perante uma restrição anterior.

Face a uma cedência, a criança, que até certa altura só queria um determinado brinquedo, passa a julgar-se com direito a tudo. O mal dos progenitores é aceitarem a escalada sem lhe porem limites os quais, quanto maior for a transigência, mais amplos têm de ser e mais dolorosamente vão ser sentidos pelo egocêntrico fedelho.

Infelizmente, o quadro que acabei de traçar não se aplica em exclusivo a crianças e adolescentes; muitas vezes ocorre, também com adultos irresponsáveis ou, quando responsáveis, profundamente egoístas e incapazes de medir consequências.

 

Grave mesmo, é que pode acontecer com um político a quem foi dado apoio para vencer uma determinada situação num contexto bem definido e ele, convencido de que, afinal, pode exigir tudo, entra em verdadeiro delírio e passa a pedir, sem critério, aquilo que vai levar ao extremo do desequilíbrio internacional.

É isto que Zelensky está a fazer quando pede que os países que apoiam ou mostram simpatia pela causa ucraniana façam, proibindo os vistos a todos os cidadãos russos. Ou seja, que os russos fiquem postergados para uma posição de total isolamento de uma boa parte do mundo.

Zelensky mostra, desta forma, que a sua única posição é de um egoísmo feroz, que a sua loucura deve ultrapassar a de Putin, porque quer que todas as relações, de todo o tipo, sejam não só cortadas com a Rússia, mas, bem pior, com os russos. Não basta que o Estado russo sofra, é imprescindível que os comerciantes, os empreendedores, os turistas e os estudantes sofram, porque Moscovo entendeu invadir a Ucrânia com base numa argumentação que, para além de desagradar (como é natural) a Kiev desagrada a outros Estados do chamado Ocidente. Isto é a prepotência do menino a quem foram satisfeitos muitos dos seus caprichos e, agora, impõe, tiranicamente, um requinte de malvadez sobre todos aqueles que estejam de acordo com a invasão ou a condenem.

Será que não dá para perceber que Zelensky é, na Ucrânia, o equivalente a Putin na Rússia? É um tirano para quem democracia é aquilo que ele entende ser democrático? Será que não dá para perceber que Zelensky é, simplesmente, um nacionalista a rondar aquilo que foi Mussolini, Salazar, Franco, Hitler, Getúlio Vargas, Perón, Pinochet? Que é alguém muito semelhante a Erdogan ou Orbán, que dizem ser democratas, inventando uma democracia à medida dos seus desejos? Será que o chamado ou dito Ocidente não percebe que está a chocar o ovo da víbora? Será que a obcecação contra a Rússia e o seu líder calculista, mas cauteloso quanto à segurança das fronteiras do seu país, é tão grande que leva à cegueira de não perceber o verdadeiro Zelensky que, à imagem de alguns ditadores, que souberam transformar-se em actores do teatro das relações internacionais, começou por ser comediante nos teatros do seus país e, agora, representa na perfeição o papel de Presidente e tirano? Ou será que alguns dos mais importantes políticos ocidentais o usam para destronar a Rússia do pedestal de grande potência, pensando poder desfazer-se, depois de cumprido o objectivo, do herói do povo ucraniano? Um herói plebiscitado à custa de muitos litros de sangue de gente anónima que preferia a paz à guerra? De um herói construído pela propaganda política que nos submerge em todas as alturas do dia? De um herói que vestiu o traje militar e representa para as televisões o papel da sua via?

 

Talvez os leitores estranhem tantas perguntas, tantas dúvidas ‒ habituados como estão a tantas certezas de tantos comentadores ditas e escritas nos órgãos de comunicação social ‒ mas, talvez, um dia, não muito longe, as percebam e as achem premonitórias. Mas, acima de tudo, são as minhas dúvidas, dúvidas que partilho convosco. Podia calá-las, mas de que serviriam se as guardasse só para mim?