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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

08.08.22

As centrais nucleares


Luís Alves de Fraga

 

A guerra tem certas regras que, umas, já estão definidas do antecedente e outras que se vão firmando com o desenrolar do conflito. E não se diga que só os chamados conflitos regulares têm regras, pois a guerra de guerrilhas também tem regras prévias ou que se vão concebendo ao longo do desenvolver das operações. Por conseguinte, dado adquirido: a guerra tem regras.

Mas quando se diz que a guerra não tem regras ou que não se estão a cumprir as regras da guerra, pretende-se, normalmente, afirmar que um, ou vários, dos exércitos em confronto está a introduzir uma nova regra, ou seja, uma nova forma de fazer a guerra.

 

Ora, neste conflito militar entre a Rússia e a Ucrânia, começa a surgir a acusação de que as centrais nucleares ucranianas, que caíram na posse das tropas russas, estão a servir de zona de concentração de forças, armamento e munições daquele país para ficarem ao abrigo de bombardeamentos ucranianos e dali poderem atacar com maior impunidade certos alvos inimigos. Curioso é que, também, os russos acusam os ucranianos de igual procedimento. Ambas as acusações podem ser verdadeiras, ambas falsas ou uma verdadeira e outra falsa. Tudo isto faz parte da guerra, porque esta se alimenta de informação e contra-informação de modo a confundir o inimigo e a opinião pública que é afecta a um dos lados.

Usar as centrais nucleares como escudo é extremamente perigoso tanto para os russos como para os ucranianos, pois se houver um bombardeamento, mesmo que muito bem dirigido, capaz de gerar uma fuga de radiação ela tanto atingirá as tropas de um lado como do outro, para além de ir causar estragos físicos numa massa bem extensa de população, podendo, ainda, propagar-se a centenas de quilómetros de distância e atingir gente que não está envolvida no conflito militar.

Partindo deste ponto, tudo me leva a crer que a acusação feita pela Ucrânia se trata de mais uma contra-informação para colocar os russos em má posição perante o mundo, podendo ser que, até, os ucranianos estejam a usar esse método, contando com a cautela dos generais inimigos, por saberem que Moscovo desaprova uma escalada nuclear e, ao mesmo tempo, porque estando em desvantagem numérica e contando com melhor armamento fornecido pelos americanos, o guardem nas suas centrais nucleares, pois vêm verificando que os depósitos de munições junto de zonas habitadas têm sido sistematicamente bombardeados por mísseis de alta precisão disparados pelos russos. Então, para desacreditar a acusação de Moscovo, Kiev acusa os russos de estarem a fazer aquilo que, afinal eles podem estar a fazer.

 

Tudo isto são suposições, que só ganham verosimilhança quando forem minimamente provadas por uma das partes. Ora, para que se não ganhe calor defendendo este, acusando aquele, há que colocar as hipóteses para se tentar perceber qual dos lados ganha mais com a contra-informação.

Assim, como a propaganda russa, nos países onde é bem aceite, é muito agressiva, Zelensky tem de fazer subir os decibéis da sua contrapropaganda para esconder uma verdade que não é conveniente poder ser confirmada por aqueles que acreditam nele e na sua causa.

 

A guerra não é nem um jogo de futebol, nem um campeonato inteiro de qualquer desporto para diversão das massas populares. A guerra gera a morte de muita gente que nem sabe, com plena exactidão, para que serve o sacrifício da sua vida. Desta forma, temos de ter cautela sobre o apoio que damos, procurando não ser apanhados pelas operações de propaganda, nas quais há pessoas interessadas, porque obtém vantagens desmesuradas, que nos passam ao lado sem darmos por elas.