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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

30.06.22

Antes de conversar há que vergar


Luís Alves de Fraga

 

Quem se lembra do que foi a batalha de Dien Bien Phu, em 1954? Creio que a maior parte dos meus leitores só saberá do que estou a falar por ter ouvido ou lido alguma coisa sobre o assunto e, naturalmente, nem saberá que dessa batalha resultou a Conferência de Genebra, da qual resutou a capitulação, sem condições, da França perante a força dos comunistas indochineses.

Julgo poder jurar que a quase totalidade dos que lêem este texto, desconhece que a total derrota dos franceses ‒ e combateram tropas de elite dispostas a morrer pela França ‒ passou por um aumento da campanha levada a cabo por Vo Nguyen Giap que, comandando as forças rebeldes, dirigia também as conversações na Suíça. E este homenzinho sabia o mais importante de tudo: quando se dirige uma campanha militar, que se pretende concluir com um cessar-fogo, aqueles que se sentam à mesa das negociações, estando em inferioridade militar na campanha, têm de ceder a todas as exigências do inimigo. Foi isso que determinou a saída dos franceses da Indochina, mas foi isso que levou às independências imediatas das colónias portuguesas de África (não devemos esquecer que, em Lisboa, após o 25 de Abril de 1974, se gritava o slogan nem mais um soldado para a guerra), tal como foi isso que levou os alemães a solicitarem um armistício, em Novembro de 1918, por estarem com o ímpeto militar quebrado, levando a sua importância na Europa a quase nada. O mesmo aconteceu ao Japão, em 1945, depois dos lançamentos das duas bombas atómicas sobre as cidades de Hiroshima e de Nagasaki. Em suma, quando se quer negociar há que ter superioridade militar sobre o inimigo, há que vergá-lo.

 

As televisões nacionais e internacionais, nos últimos dias, têm feito grandes reportagens à volta do bombardeamento, com um míssil, de um centro comercial na Ucrânia. Temos de juntar as pontas para perceber estes novos acontecimentos. Vamos a isso?

Não há dúvida que a campanha no Donbass está praticamente concluída pelos russos e que, dificilmente, as tropas ucranianas conseguirão reconquistar a região; era preciso uma total reviravolta no armento pesado e na aviação para desalojar os russos. Moscovo, penso, não quer prolongar a campanha na Ucrânia, mas deseja vergar o inimigo até levar o governo de Kiev à mesa das conversações para aceitar o que lhe for imposto pelo Kremlin. Todavia, parece, Zelenski não está disposto a reconhecer a derrota, até porque, um pouco inocentemente, julga que os EUA, a OTAN e o G7, em concordância com as afirmações feitas nestes últimos dias, lhe vão dar tudo aquilo de que precisa para continuar a sacrificar, sem dó nem piedade, o seu povo e os seus soldados. Por outro lado, Moscovo, face à esperança de Kiev, e na dúvida sobre o futuro apoio da OTAN e dos EUA, marca a sua força através de bombardeamentos selectivos sobre alvos supostamente militares ‒ poderão ou não corresponder à verdade, sendo que alguns efeitos colaterais venham por mero arrasto, ‒ um pouco por todo o território ucraniano, para que fique cada vez mais evidente a sua capacidade de destruição, se o presidente e o governo da Ucrânia se recusarem a sentar à mesa das conversações.

Esta é uma das explicações para estes ataques inesperados partindo da Rússia ou da Bielorrússia.

 

Claro que temos de entrar com uma outra variável: a vontade dos EUA quererem aceitar ou não a realização de uma paz entre a Rússia e a Ucrânia, pois, parece, que importante para Washington, Casa Branca e Pentágono é vergar a Rússia até ao ponto de ela perder qualquer tipo de valor militar na Europa e no mundo. Se assim for, Biden encontrou em Zelenski o louco que era preciso para o sacrifício de um povo em nome de um valor que deixou, há muito, de ser o seu para ser, exclusivamente, o dos americanos.

Daqui ressalta uma outra variável: será que a UE e os países europeus que integram a OTAN estão dispostos a pagar uma factura económica de valor tão alto que vai colocar os nacionais europeus contra os seus governantes? Não alvitramos uma resposta pois, não estando em nenhum centro de decisão, não conseguimos vislumbrar mais longe do que a hipótese colocada.

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