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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

22.09.20

Amigos e concorrentes


Luís Alves de Fraga

 

Aqueles que ao longo da minha vida fui considerando meus Amigos – excluo os amigos do Facebook, entre os quais estão alguns dos meus verdadeiros e profundos Amigos – são companheiros de jornada com quem partilho alguns aspectos do meu quotidiano, das minhas preocupações, dos meus anseios, das minhas mágoas, das minhas alegrias, enfim, é gente que entra naquele espaço íntimo bem diferente do que mostro no dia-a-dia. Para mim, um Amigo destes não precisa de estar constantemente em contacto comigo. Ao cabo de anos, se somos Amigos, não é o silêncio nem o tempo que põe entrave na amizade.

Conscientemente, jamais concorro, seja em que aspecto for, com um Amigo. Alegro-me com as suas vitórias, as suas conquistas, as suas alegrias, mas fico triste com os seus azares, com as suas mágoas, com as suas perdas. Não invejo ninguém e muito menos um Amigo.

 

Às vezes engano-me, porque identifico como Amigo um mero conhecido e, deste modo, julgo haver reciprocidade de sentimentos e o que há, afinal, é inveja, concorrência, despeito, frustração.

Em algumas coisas – poucas – da minha vida fui pioneiro: fui o primeiro mestre em Estratégia na Força Aérea e o quarto no país; da minha especialidade militar, fui o primeiro e, até agora, único director de ensino na Academia da Força Aérea; fui o autor do projecto, e seu executante, para a formação de todos os oficiais da Força Aérea na respectiva Academia; julgo ter sido, na Força Aérea e na minha especialidade, o primeiro doutorado em História.

Nunca admiti que estas coisas gerassem inveja ou despeito fosse em quem fosse e, muito menos, em alguém que, em tempos, aceitei como Amigo.

Pelos vistos, após certas análises, foi isso que aconteceu com um ou dois desses que, aceitei, estariam felizes por mim. Até porque, para além da minha satisfação e realização pessoais, sempre encarei o que fui fazendo como forma de enaltecer os diferentes grupos sociais onde estava inserido: família, Amigos, especialidade militar, Força Aérea e universidade. As minhas conquistas sempre as quis partilhar com quem, julgava eu, se sentia satisfeito com isso. Puro engano, pelo menos em relação a algumas pessoas e instituições. Ingenuidade minha? Quase de certeza que sim, mas sempre acreditei que não somos ilhas isoladas, porque fazemos parte de um imenso continente. Disto não vou abdicar.

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