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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Ambivalência

 

Admito que muitos dos militares, profissionais ou não, que combateram na guerra colonial portuguesa, vivam um sentimento de ambivalência e isso os leve a sentirem-se mal, por terem de "justificar" o Estado Novo e a ditadura.

É, julgo, necessário desmistificar tal "dilema".

 

Todos nós, a gente da minha geração, combateu em África, porque, a maioria, estava convencida de que as colónias eram, de facto, território nacional e, porque, uma mentira repetida mil vezes, se torna uma verdade ou adormece o nosso sentido crítico.

Muitos, chegados a África, perceberam o engano em que tinham vivido e vieram de lá com a certeza de que as colónias, mais tarde ou mais cedo, teriam de ganhar a independência. Todavia, muitos outros, por preconceito e ignorância, olharam para os negros, fossem ou não guerrilheiros, e viram neles "inimigos" ou seres incapazes de sobreviverem sem a "protecção" dos brancos. E é neste grupo que, admito, se encontram todos aqueles que justificam como "boa" a guerra colonial.

São vítimas do obscurantismo que o salazarismo cultivou junto de todas as camadas sociais. Para estes não há remédio!

 

Mas, depois, há aqueles que, pela sua acção em campanha, foram galardoados com condecorações e, não todos, mas alguns, sentem que concordar com a reprovação da guerra colonial é uma "traição" à razão de ser dos seus actos heróicos.

Ora, nada é mais falso do que esse raciocínio!

 

O acto heróico não tem nada a ver com o regime político que manda combater um inimigo. O acto heróico vale por si mesmo e não por quem manda fazer a guerra.

O herói militar não é, em princípio, um assassino! É alguém que soube levar até ao extremo o seu sacrifício para cumprir uma missão de guerra. Houve heróis entre os guerrilheiros, que combateram as nossas tropas, tal como os houve entre aqueles que serviram as nossas Forças Armadas. Mas, claro, houve também, assassinos em ambos os lados! Gente que não fez a guerra com humanidade, porque, na guerra, mesmo matando, pode e deve haver humanidade. E isto não está relacionado com o regime político, nem com os ideais políticos que norteiam quem manda fazer a guerra.

Assim, não me repugna absolutamente nada que um herói militar português condene o salazarismo, a guerra colonial e o colonialismo, pois não há lugar a ambivalências, porque o acto heróico, se dentro dos limites da deontologia militar e das convenções humanitárias reguladoras do modo de fazer a guerra, é a prova da coragem de quem o praticou.

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