Agradecer ou não?
Há dias, um aluno meu, colocou-me a questão de saber se devia fazer agradecimentos na página a isso destinada na sua dissertação de mestrado ou, pura e simplesmente, não reconhecer dívida de espécie alguma a quem quer que seja.
Não tive relutância em responder-lhe: não só devia fazê-lo como era de bom tom que o fizesse.
- Mas, replicou ele, não basta agradecer ao orientador, que, em boa verdade, é a pessoa a quem mais devo na execução do meu trabalho?
Fiz-lhe ver que agradecer exclusivamente ao orientador, de forma expressa ou não, era um acto de indelicadeza para com todos quantos, directa ou indirectamente, contribuíram para que o trabalho dele se tornasse uma realidade. É que ninguém, além de morrer, faz nada sozinho, pois há sempre alguém a quem agradecer condições criadas para que se realize um sonho ou uma necessidade nossa. Não pensar assim é um acto de egoísmo. Mais, de soberba intelectual, pois, por muito pouco que alguém contribua para o nosso trabalho, esse pouco, em certas circunstâncias, pode ser muito ou mesmo tudo.
O meu aluno ficou convencido, mas remoeu que teria de dar voltas à cabeça para encontrar a quem agradecer.
Estou com pena dele! Pena de mistura com algum desprezo, pois, quem assim procede, não merece graus académicos, os quais devem começar por constituir um acto de humildade.