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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

30.10.18

Aeroporto da Portela e do Montijo


Luís Alves de Fraga

 

Acabei de ver mais um programa “Prós e Contras”, este sobre a transformação da Base Aérea do Montijo em prolongamento do aeroporto da Portela ou General Humberto Delgado.

Creio que foi dito o mais importante, mas ficou evidente que os maiores responsáveis pela apresentação do projecto ao Governo somente se baseiam em estudos técnicos sem olharem para além das regras estabelecidas e vigentes. Regras de impacto ambiental, regras técnicas de percursos de aproximação de aeronaves e de descolagem das mesmas, regras de tráfego aéreo, regras de ligação rodo e ferroviária a Lisboa, regras de o raio que os parta! Regras sobre a forma de nos enganarem e se desresponsabilizarem de tudo o que pode acontecer.

 

Dois pilotos presentes no debate levantaram a questão mais importante fora das regras enunciadas pela cambada defensora do aeroporto no Montijo: a segurança das populações residentes nos “corredores” de aterragem e descolagem dos aviões.

 

Em Lisboa, há duas formas de se fazer a aproximação para a aterragem: ou vindo do lado de Vila Franca de Xira ou entrando pelo lado da Fonte da Telha.

A entrada pelo lado de Vila Franca é, do ponto de vista do risco para as populações, aquele que oferece menor perigosidade; mas, quando se vem da Fonte da Telha, os aviões sobrevoam uma parte de Lisboa absolutamente horripilante se se tiver em conta um acidente aeronáutico: ponte 25 de Abril, palácio das Necessidades, hospital de Santa Maria, Biblioteca Nacional, Torre do Tombo, Universidade de Lisboa, Campo Grande, bairro de Alvalade, Areeiro e parte da avenida Gago Coutinho.

Ninguém pode imaginar a dimensão da catástrofe de uma aeronave que começasse a cair, por exemplo sobre o hospital de Santa Maria e se imobilizasse no bairro de Alvalade! Não eram só as mortes dos passageiros; eram todas as mortes devidas ao impacto no solo como as resultantes de todos os estilhaços feitos durante a queda e arrastamento, como ainda as provocadas pelos fogos ateados pela queima do combustível dos tanques. Não haveria meio de deitar mão a todos os acidentados. Não chegariam os bombeiros das corporações de Lisboa, nem as ambulâncias do INEM e restantes. A confusão no trânsito seria caótica. Os curto-circuitos seriam imensos, as explosões de garrafas de gás de uso doméstico dariam origem a intermináveis fogos, bem como a outros provocados pelo gás de cidade.

 

E um acidente destes pode ter lugar devido a uma falha de motor, ao impacto com aves de porte significativo ou com drones usados para divertimento pessoal ou uma outra causa inesperada.

 

É por causa destas situações de segurança que os mais modernos aeroportos do mundo se situam a largos quilómetros das cidades mais próximas. Mas, por cá, continua-se a discutir a fotografia dos criminosos apanhados em fuga, dos animais de estimação serem ou não abandonados ou entrarem em restaurantes, o cartão ser de cidadã e cidadão, haver ou não haver segurança nos paióis militares. Tudo isto é importante, menos o facto de estar iminente uma catástrofe de proporções incalculáveis, cada vez que se aproxima um avião do aeroporto da Portela.

Acredita-se, em excesso, nas maravilhosas e miraculosas capacidades de Nossa Senhora de Fátima… Até ao dia em que não vale a pena chorar sobre o leite derramado!