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Fio de Prumo



Quinta-feira, 22.03.18

Academias militares

 

Muita gente, em Portugal — e só me refiro aqui aos Portugueses —, pode perguntar-se para que servem as Academias militares — a saber: Escola Naval, Academia Militar e Academia da Força Aérea — e o que lá se aprende.

Não pretendo esgotar o assunto, mas, no meu sintetismo, procurarei dizer o essencial.

 

Nas Academias militares aprende-se a fazer a guerra da forma mais eficiente e, também, mais eficaz. Adivinho a pergunta:

— Mas para que se quer, em Portugal, aprender a fazer a guerra?

A resposta é só uma, que parece contraditória:

— Para evitar a guerra.

E, para que se saiba, só se evita a guerra quando se tem um sistema de dissuasão da guerra suficientemente credível. Em Portugal, ninguém acredita no nosso sistema de dissuasão, porque ninguém acredita na possibilidade de haver guerra e, se a houver, ninguém acredita que as nossas Forças Armadas possam fazer o quer que seja para a evitar. Assim, não há investimento no nosso sistema militar de dissuasão. Somos um Estado sem defesa ou com a defesa reduzida aos mínimos que a decência política impõe.

 

Mas temos oficiais militares. Para quê? Para manter de pé o “simulacro” de Forças Amadas e, acima de tudo, para poder, se e quando necessário, preparar a defesa possível quando ela for necessária e possível.

— Como é que se prepara um oficial das Forças Armadas?

Além de lhe ministrar todos os conhecimentos técnicos imprescindíveis às várias formas de fazer a guerra, ensina-se-lhe um valor mais alto e mais subtil: o amor da Pátria.

 

O amor pela Pátria é algo que, no presente, muitos apregoam, mas poucos sabem exactamente o que é e que não se confunde com vitórias internacionais de futebol ou de qualquer tipo de desporto. Amor da Pátria é o desejo de manter eterno o que faz de nós gente que se chama Portuguesa, que se identifica com a nossa História, com a nossa Língua, com a nossa maneira de estar no mundo e com o nosso desejo de continuarmos a ser um agregado com identidade bem definida enquanto Povo e Território. Ensina-se que, para preservação destes valores, se for necessário, qualquer um, que é militar, pode ser chamado a dar a própria vida.

 

As Academias militares são o último repositório da portugalidade num tempo de globalização e de europeização.

 

Eis a razão pela qual o meu coração acelera a batida quando me cruzo com cadetes de qualquer uma das Escolas de formação de oficiais das Forças Armadas Portuguesas: ali vai uma reserva de Portugal. Um Portugal inteiro, íntegro, mas capaz de continuar igual à sua mais pura essência histórica.

 

Coisas de velho oficial, pensarão quase todos os que conseguiram ler-me até aqui!

Coisas de quem aprendeu a servir Portugal e não a servir-se, rebaterei eu!

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por Luís Alves de Fraga às 12:06



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