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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

29.06.23

A situação russa e ucraniana


Luís Alves de Fraga

 

Não tenho a menor dúvida de que, no Ocidente, se está a preparar o clima necessário para encontrar uma solução rápida para o conflito no Leste europeu. Qualquer coisa que ponha um ponto final na guerra russo-ucraniana. Todos os indícios estratégicos vão nesse sentido. Vamos ver se tenho alguma ponta de razão.

 

A fissura ideológico-militar que teve lugar no passado fim de semana nas fileiras russas dão-nos a indicação de que existem divisões significativas entre os altos comandos em Moscovo; haverá quem queira endurecer o empenhamento na guerra e quem a veja como um erro estratégico tremendo (reprovável na medida em que veio colocar a nu as incapacidades militares da Rússia, empurrando-a para a situação de potência regional, ficando atrás da China). Do ponto de vista de alguns generais russos, se calhar, é preferível uma negociação rápida com a Ucrânia, mantendo as conquistas alcançadas do que sucessivas pequenas derrotas no terreno, as quais somadas vão representar um pesadíssimo desperdício de vidas a par de um insucesso militar altamente explorado pela propaganda ocidental.

Ao contrário do que ainda ocupa os órgãos de comunicação social, pouco me interessa o que vai acontecer na Rússia quanto à tentativa golpista de sábado passado. Putin tem a inteligência e a prática suficientes para saber como deve lidar com este assunto sem perder a popularidade para se manter no poder. É preciso que não confundamos os nossos desejos com a realidade a desenrolar-se no Kremlin.

 

Por outro lado, olhemos para a Ucrânia.

A “grande” ofensiva que iria pôr os russos em debandada está a resumir-se a algumas centenas de metros de terreno conquistadas ao inimigo. Ontem na CNN Portugal (e note-se que foi nesta estação e não numa outra!), ao fim da noite, foi explicado muito claramente como está organizada a linha de defesa russa no Donbass e quais as dificuldades que os ucranianos têm de vencer para chegar ao contacto directo com o inimigo. Disse o major-general Agostinho Costa que, a este ritmo, a Ucrânia precisará de dezasseis anos para conquistar todo o território ocupado pelos russos.

 

Na minha opinião, como disse inicialmente, está a ocorrer uma suave reviravolta nos noticiários, embora se continue a exaltar os massacres de populações civis sujeitas aos mísseis russos, de modo a criar o clima que leva o Ocidente a aceitar a paz que se tem de impor a Kiev e que Moscovo deseja (até já o nosso ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou, em entrevista à Rádio Renascença, que “talvez” lá para 2024 se veja o fim do conflito).

Esta manobra comunicacional resulta de, por um lado, os EUA terem apoiado e empurrado a Ucrânia para uma guerra que Moscovo não evitou, pois corria o risco de ver aumentar a proximidade das ameaças da OTAN. Assim, cabe a Washington “arranjar a saída” para descalçar esta bota. A grande estupidez foi a Europa e, em particular a União Europeia, ter alinhado, sem reticências, com os EUA, mas disso já tratei no meu recente livro «Ucrânia, uma guerra de embustes» (Colibri).

 

O que realmente lastimo, nas nossas televisões, é a escolha de comentadores civis, usualmente gente que se julga especialista em relações internacionais, que, sem qualquer tipo de informação credível, lançam para o ar opiniões desconchavadas, levando quem sabe um pouco desta matéria a rir-se de tanta falta de respeito pelos telespectadores.