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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

24.06.23

A rebelião


Luís Alves de Fraga

 

Os últimos acontecimentos na Rússia levaram-me a passar o dia em frente da televisão à espera de alguma novidade. Para além do avanço de Prigozhin largas centenas de quilómetros em solo russo, nada de concreto se passou até ao momento em que, a quatrocentos quilómetros de Moscovo, por intervenção do presidente da Bielorrússia, a coluna Wagner parou e, segundo parece, vai regressar aos seus acampamentos.

 

Ouvi teses, palpites e hipóteses o mais complexas que se possa imaginar. Claro que a de uma intervenção estrangeira junto do patrão da empresa Wagner também foi atirada para o ar, mas rapidamente desapareceu. Porquê? Porque Prigozhin faz parte do grupo mais nacionalista russo e é amigo pessoal de Putin. É possível que eu me tenha enganado, embora a traição seja uma realidade a admitir, especialmente se o traidor verificar, no terreno, que o exército russo é incapaz de levar por diante uma campanha. Então, por nacionalismo, é preferível parar uma guerra do que mantê-la até à prova real da ineficácia do agressor.

Mas, a mais rebuscada das hipóteses que ouvi, foi a de um historiador (será defeito de quem faz História?) quando admitiu haver um entendimento entre Putin e Prigozhin que desse ao primeiro a possibilidade de afastar todo o seu estado-maior, atirando para cima dele a responsabilidade de uma campanha falhada, dando-lhe assim, ao mesmo tempo, o meio de, salvando a face, poder iniciar negociações de paz com a Ucrânia.

 

Como estamos no plano da mera especulação teórica, tudo é aceitável, desde que assuma algum aspecto verosímil.

Os próximos dias vão ser de expectativa, pois tudo se explicará em função do desenrolar dos acontecimentos na Rússia. Contudo, uma coisa é certa: nestas quase vinte e quatro horas Putin foi o alvo mais evidente de uma rebelião sem precedentes no decurso de uma campanha militar. Veremos se o acto seguinte não passa por um golpe palaciano em Moscovo.