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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

22.01.19

A opinião pública e a violência


Luís Alves de Fraga

 

Há muitos anos, ainda estava a iniciar-se o período de acalmia revolucionária (1977), fiz um pequeno trabalho de investigação, no âmbito da Sociologia, sobre a relação existente entre a conotação partidária e as notícias de violência social.

Da análise, então levada a cabo, conclui que os jornais e revistas mais ligados à chamada “direita” eram francamente mais pródigos em divulgar toda a casta de desacatos, violências e desordens sociais do que os jornais tidos como afectos à “esquerda”. O jornal que, na época, menos importância dava às desordens sociais e aos crimes era “O Diário”, controlado pelo Partido Comunista. Recordo, governava o País, o Partido Socialista, com Mário Soares à frente, embora sem maioria absoluta no Parlamento. No meu estudo, procurei ser o mais rigoroso possível, tanto quantitativa como qualitativamente.

 

Havia, nesse tempo, uma “política” na redacção dos jornais, imposta pelo respectivo chefe, que determinava o que devia ou não ser destacado, a dimensão do destaque e a importância dada a cada notícia. Os jornais tinham uma linha editorial e fugiam o menos possível da mesma, porque não lhes interessava o “ranking” no nível de audiência, mas o rigor do que noticiavam. O jornalismo era, ao mesmo tempo, informativo, formativo e pedagógico. Cada órgão de comunicação social pretendia atingir o “seu” público e não o público em geral.

Assim, compreendia-se que o “alarme social” provocado pelas notícias sobre desordens e insegurança tinham, para os órgãos de comunicação conotados com a direita, toda a importância, pois, quanto mais divulgadas e badaladas, mais sensação geravam de mal-estar e de desgoverno.

 

Actualmente, jornais, rádios e televisões, alinham pelo mesmo diapasão: alarme social e instabilidade. Deixou-se de lado o sentido pedagógico e formativo da opinião pública. Importa chegar primeiro à notícia, divulgá-la sem grande preocupação de fidelidade, nem de efeito sobre quem dela toma conhecimento. A loucura da “aldeia global” com a notícia instantânea veio fazer perder critérios de cautela e de efeitos subsequentes. Nada interessa!

 

É, no fundo, esta ansiedade de estar sempre na “linha de partida” para chegar primeiro à “meta”, que leva à divulgação de uma simples zaragata entre vizinhos, com intervenção da polícia, a uma manifestação com contornos mega histriónicos, ocupando tempo televisivo com comentários e explorações de factos que acabam ampliando, como se fosse uma tuba, acontecimentos com maiores e mais graves repercussões.

Não sou adepto do “antigamente é que era bom”, mas, julgo, é tempo de reencontrarmos comportamentos éticos para actividades que afectam a sociedade em geral.