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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

03.04.19

A moralidade dos velhos políticos


Luís Alves de Fraga

 

Quando eu era um jovem a começar para o mundo do trabalho e para a vida, ficava com grande suspeita ao ver um idoso, que sempre desprezara as coisas da religião, passar a frequentar a igreja, a comungar, a confessar-se e a rezar fervorosamente terços atrás de terços. Para mim, não se tratava de uma conversão ou reconversão, antes de uma tremenda crise de medo da morte e de um inferno interiorizado na infância através das palavras da catequista beata ou do sacerdote obscurantista e impositivo. A fé desses velhos – homens e mulheres – resumia-se à obtenção do “passaporte” para o céu, algures bem acima das nuvens.

 

Nos últimos anos tenho assistido a um fenómeno semelhante, contudo, já não de ordem eclesiástica, mas de natureza política. Desgastados tribunos – às vezes de fraca verborreia –, esquecendo pecados antigos, apregoam virtudes e soluções jamais praticadas quando roçaram o traseiro pelas cadeiras do poder. Não os assusta a descida aos báratros ardentes de um qualquer Lúcifer, todavia, pretendem ludibriar a História, através de enganarem a memória dos homens. Era mais fácil trapacearem Deus – sobre a existência do qual não têm certezas – do que tentarem iludir apaniguados ou opositores.

 

A este propósito vêm as declarações de Cavaco Silva sobre o como deve ser ou não ser a ética política tanto sobre familiares no Governo ou cargos públicos como sobre a prática dos “jobs for the boys”. E nem se coíbe de referir o que, sobre o assunto, publicou no livro da sua autoria, quando era Presidente da República, dando-se como exemplo de moralizador!

Julgará que, deste modo, fará desaparecer a lembrança do que foram os seus dez anos de governação e todos os favores e sinecuras distribuídos a eito por figuras ainda hoje bem instaladas ou a tratos com a justiça?

 

O medo do julgamento divino e do julgamento da História não ficam a dever nada um ao outro, como se vê!

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