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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

13.05.24

A loucura persecutória


Luís Alves de Fraga

 

Há coisa de uma semana ou pouco mais ou menos ficou a saber-se que o Estado de São Tomé e Príncipe tinha estabelecido um acordo de apoio militar com a Rússia e, por cá, gerou-se a mais inusitada campanha de informação sobre o assunto: a CPLP estava em perigo, Portugal devia ter-se manifestado, e mais isto, mais aquilo e aqueloutro. Uma loucura!

 

Primeiro que tudo, a República de São Tomé (falemos assim para simplificar) é um Estado soberano, embora, talvez o ou um dos mais pequenos de todos os Estados africanos. Portugal não tem qualquer tipo de tutela sobre aquela democracia e, mais ainda, é tão pobre que pouco auxílio pode dar à sua ex-colónia. Deste modo, é natural que o governo são-tomense procure os apoios que mais lhe convêm e que vão mais ao encontro dos seus objectivos de desenvolvimento.

Claro que pode ser preocupante, aquando da análise da geopolítica mundial, São Tomé fazer acordos com a Rússia e pôr de lado os EUA, mas isso é um “mercado” que está em aberto para todos aqueles que souberem fazer a melhor oferta.

O que é que a Rússia pode ganhar com um acordo militar com São Tomé? Muito, direi eu. E vamos ver qual a razão.

 

São Tomé vai ter participação na exploração do petróleo no Golfo da Guiné; logo, situa-se numa zona de potenciais conflitos e tem de estar sob a asa protectora de alguma grande potência. Assim, Moscovo não só pode oferecer protecção militar como, estrategicamente, tem uma ponta-de-lança enfiada no meio de um forte grupo de interesses petrolíferos, afastando os EUA da hegemonia dessa fonte de energia fóssil.

Acresce que São Tomé está na rota marítima da América do Sul onde se delineiam posições não alinhadas com Washington e, provavelmente, mais simpatizantes com a Federação Russa. Ora, o que falta a Moscovo é liberdade marítima e este arquipélago “está mesmo à mão de semear” na aproximação ao Brasil.

É evidente que nenhuma das duas principais ilhas deste arquipélago pode servir de base naval ou mesmo aérea para a Rússia, mas serve de ponto de apoio para abastecimento da imensa frota submarina da Federação Russa, pois trata-se de um país onde não haverá o perigo de grandes alterações sociais e políticas que não se “resolvam” em questão de horas. É um Estado tranquilo e muito distante das problemáticas de lutas raciais. Interessante, não é?

 

E o que terá Portugal de fazer para continuar com boas relações diplomáticas com São Tomé? Tudo aquilo que esteja ao alcance das nossas exíguas possibilidades: criar uma linha de bolsas de estudo para alunos santomenses virem frequentar universidades de primeira categoria entre as muitas que temos, disponibilizar manuais escolares feitos segundo os ditames de São Tomé, enviar professores do ensino básico, secundário e superior para participarem no desenvolvimento da aprendizagem local, estabelecer laços de investigação científica em todos os domínios do saber, mas com maior intensidade nas áreas da saúde, na da informática e na da construção civil.

É pouco? É muito? É o que nos garante manter os laços de entendimento com São Tomé e o seu povo, porque, acima de tudo, falamos a mesma língua, levando, assim, vantagem sobre qualquer país que não seja da CPLP. Depois, e mais do que tudo, Portugal deve saber estar junto dos governantes de São Tomé para os ajudar ‒ se precisarem ‒ na tomada de decisões estratégicas, já que nós, portugueses, não temos nada a perder nem a ganhar neste “negócio”.