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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

17.04.24

A Informação neste mundo


Luís Alves de Fraga

 

Da página do MGen. Raúl Luís Cunha (que se fundamentou em artigo de um blog na Internet) saiu-me a ideia de pegar no mesmo tema e tecer sobre o assunto as minhas considerações, embora com a devida vénia.

 

No momento que passa, a humanidade parece desejar uma guerra que confronte ideais religiosos, regimes políticos e economias concorrentes. Sente-se no ar (menos na rádio e mais nas televisões e jornais) um clima de extremos que, nem mesmo a ONU, consegue disfarçar (pelo contrário).

Espectador que sou de tudo isto, com os meus oitenta e três anos de vida e muitos anos de estudo de História, Relações Internacionais, Política, Estratégia e de pensamento militar nunca senti, a não ser quando era garoto e a URSS impôs o bloquei a Berlim (nem mesmo aquando da crise dos mísseis em Cuba) que se estivesse a virar uma página nas relações internacionais, deixando vislumbrar a possibilidade de uma guerra em larga escala.

Foi, há dois anos, a Ucrânia, em resultado do aperto do cerco feito à Rússia pela OTAN, por vontade expressa de Washington (escrevi sobre isso um livro de crónicas com análise estratégica e política) que espoletou uma situação de oposição entre o Ocidente e o Oriente, mas, parece, os estrategistas americanos não souberam ou não foram capazes de perspectivar o estreitamento do novelo diplomático e militar que se iria fazer entre a China (outra área de possível confronto com o Ocidente), a Rússia e o Irão. Tal incapacidade deixou que o mundo “do lado de cá” corresse em auxílio da Ucrânia, comprometendo-se, até ao nível do nariz, num confronto com a Rússia (o mesmo é dizer com os seus aliados de ocasião) com a vaga esperança de travar Moscovo no seu avanço em direcção ao Mar Negro. Pensava-se (e eu também) que era uma guerra à moda clássica que, na melhor das hipóteses acabaria como acabou a da Coreia, nos anos de 1950, num armistício com ganhos e perdas para ambos os lados (a Ucrânia entraria na UE e na OTAN, mas perderia a parte Leste e Sul do seu território, oferecendo, deste modo, segurança à Rússia). Todavia, num movimento estratégico de tenaz, o Irão deu todo o seu apoio aos insurgentes islâmicos para atacarem em Israel, sabendo que a resposta seria violenta e que acabaria por colocar os EUA e grande parte da Europa em posição de condenação de Telavive, condescendendo perante os palestinianos.

Repare-se a contradição em que ficam a América e a Europa pois, segundo o velho provérbio nacional, “os amigos do meu amigo, meus amigos são”. Assim estão “entalados” os europeus e os americanos. Fica-se contra o Irão e a Rússia, escolhendo Israel ou contra este Estado, favorecendo, afinal, as razões iranianas? E a Ucrânia, abandona-se à sua sorte? Claro que, de uma tal situação se aproveitam os partidos políticos de extrema-direita que, exaltando nacionalismos, racismos e xenofobismos, aspiram a impor-se como ditadores em completo atentado contra a democracia.

 

Perante este novelo, como reagem os órgãos de comunicação nacional (não falando noutros da Europa)? Ao invés de informarem, para que cada qual se aperceba da situação quase de caos em que estamos a viver, procuram doutrinar, gerando no Irão um outro inimigo (que pode ser assim considerado) que é parelha da Rússia e, deste modo, cá estamos a abrir a oportunidade ao Chega e a um clima de exaltação bélica para o qual não temos “toldo” militar.

Fico triste com os nossos especialistas que se limitam a dar palpites sobre o que pode ou não acontecer em vez de exporem o quadro estratégico de forma a que se perceba que um passo em falso pode trazer para dentro das nossas fronteiras uma carrada de extremistas islâmicos que farão os atentados que quiserem sem grandes incómodos.

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