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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

A importância de dizer

 

Ouvi de um amigo meu, com idade próxima da minha, uma história assaz interessante, que vos vou contar, por a julgar paradigmática quanto ao calar ou dizer certas palavras.

 

Os pais do meu amigo tinham uma pequena propriedade, com casa de campo, numa região do centro de Portugal. Era no tempo em que, passar o Verão no meio do nada, não representava perigo de espécie alguma. A casa distava da aldeia mais próxima cerca de três a quatro quilómetros; não tinha electricidade nem água canalizada... bebia-se a de um poço existente na propriedade. O meu amigo tinha uma velha e pesada bicicleta, que o pai lhe comprara, para ir todos os dias à aldeia fazer os recados necessários ao abastecimento, em géneros frescos, para a alimentação da família. Passou os Verões da sua juventude com os pais nessa propriedade perdida no centro de Portugal.

 

Casou com vinte e quatro anos e, no ano seguinte, seguiu para África. Lá, recebeu a notícia da venda da casa e terreno. Teve pena que a família se tivesse desfeito daquela propriedade com tantas memórias para ele.

Só muitos anos mais tarde se interrogou sobre a razão da venda. Não se justificava, dado o grande gosto que o pai fazia nas férias lá passadas.

 

Quando me contava isto, o meu amigo, deixou escapar a pergunta:

- Olha lá, és capaz de imaginar o motivo da trasacção?

Respondi-lhe que, se calhar, foram razões financeiras que a ditaram. Sorriu e disse-me simplesmente:

- Não, meu caro, faltava lá eu para ir fazer as compras, de bicicleta, à aldeia mais próxima!

Os olhos ficaram-lhe tristes e confessou com voz cava e num murmúrio:

- O que mais me dói é que o meu pai nunca me disse a importância que eu tinha nas férias da família. Não lhe custava nada e eu teria ficado contente e orgulhoso por ser útil!

 

Muitas vezes calamos palavras que devíamos dizer, elogios que afagam o nosso ego, sem contribuírem para uma balofa vaidade.

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