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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

07.08.22

A impagável dupla


Luís Alves de Fraga

 

Todos vimos percebendo que a guerra russo-ucraniana não nos traz, colectivamente, nada de bom; antes pelo contrário. Disso já falei muito e, tenho a certeza, fui bastante mal compreendido, pois até houve quem, no Facebook cortasse relações pessoais comigo (e tratava-se de alguém que eu considerava muito e por quem tenho muita admiração intelectual e pessoal).

Parece-me que, com o rodar da carruagem, já há quem compreenda que a defesa ideológica da Ucrânia foi uma excelente invenção de quem comanda os órgãos de comunicação social e, no caso vertente, os nacionais, que estão sempre dispostos a fazer qualquer frete por qualquer preço desde que fiquem classificados como bons alunos à custa de nos tentarem fazer parvos ou alienados, o que, em boa verdade, a alternativa, é bem pior.

Quiseram fazer de todos nós ucranianos ‒ coisa em que não alinhei desde a primeira hora, embora não tenha alinhado em ser russo ou, até, comunista; fui e continuo a ser aquilo que há muitos anos tenho sido: um analista independente e com um campo de tiro de 360 graus ‒ à força de nos impingirem a ideia de que a Rússia ‒ que, sem dúvida, invadiu a Ucrânia ‒ estava na origem de uma nova guerra, desta vez, na Europa de Leste. Não, a origem da guerra estava, está e estará sempre no facto de os EUA aceitarem e incentivarem o alargamento da OTAN até uma outra fronteira da Rússia, esta, agora, a da Ucrânia. A crise de Cuba foi esquecida pela Casa Branca e não se tentou levar Kiev a reposicionar-se em relação às regiões que se autoproclamaram Estados independentes.

 

Por cá, como prova de que o fascismo ainda está muito vivo em gente de avançada idade e, até, em jovens, confundiu-se, propositadamente a Rússia oligárquica, capitalista e ditatorial com a já há muito falecida URSS e, ao fazer isto, vá de classificar como comunistas todos quantos olhavam a política do Kremlin mais como defensiva do que como ofensiva.

Se todas as estações generalistas de televisão eram afincadamente defensoras da visão ditada pela Casa Branca e pelo Pentágono, uma delas ‒ a SIC ‒ primava por estar na vanguarda. E usava (creio que, à data em que escrevo, ainda usa), num dos telejornais da noite, dois pares de jarras de se lhe tirar o chapéu! Tirar o chapéu, porque bolsam, durante um pas de deux de alguns minutos, todo o veneno que acumularam durante a vida contra a Rússia estivesse ela ainda no regime comunista ou já nesta farsa democrática de agora. Trata-se, como já devem ter percebido de Nuno Rogeiro e de José Milhazes.

 

Convirá recordar que, há muitos anos, segundo constou nos meios académicos, ainda no final do século passado, Nuno Rogeiro teve de abandonar a universidade Lusíada e as cadeiras ali leccionadas por si porque, instado a apresentar o diploma ou os documentos que lhe conferiam grau académico para poder exercer a função, nunca o fez, levando à presunção de que não possuía as condições, então, requeridas para o desempenho atribuído.

Já na altura ele fazia, de quando em vez, comentários em estações de televisão, sobre temáticas internacionais, mostrando clara simpatia pelos EUA e pelas ideologias políticas tendencialmente do leque da direita parlamentar. Acabou por fixar-se na SIC e assumir os cometários sobre as relações internacionais.

Com a eclosão da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, posicionou-se, sem margem para dúvidas, ao lado do governo de Kiev, desenvolvendo muito mais um tipo de propaganda política, através da mostra de episódios contrários à Rússia, do que buscando um tipo de informação capaz de permitir aos telespectadores compreender o conflito e tirarem por si mesmos as conclusões que resultassem de simpatias ideológicas ou de análises mais aprofundadas. Não. Ele, todos os dias, injecta uma vacina anti Rússia, através de vídeos e considerações que chegam a ofender a inteligência de quem ainda presta atenção ao seu discurso. Nuno Rogeiro não é um especialista em questões internacionais; é um propagandista ao serviço de certos poderes mundiais e nada mais.

 

Em parceria com Rogeiro surge o inimitável José Milhazes, um comunista desconvertido e rebelde contra a Rússia. Foi jornalista e é licenciado, pela Universidade de Moscovo, em História Russa. Doutorou-se, já tardiamente, em História, na Universidade do Porto.

Não imagino o que o fez mudar de posição política, desde que chegou a Portugal e abandonou a terra por onde aprendeu ‒ ou talvez não ‒ a fazer História. O que salta à vista dos telespectadores desta dupla de propagandistas é a, por vezes, quase caricata figura que faz José Milhazes nos seus comentários sobre a terra e o povo que o acolheu durante dezenas de anos. Não há como o levar a sério, tão raivosa é a sua postura para com o governo russo e a actualidade russa.

 

É pena que dois estudiosos sobre temas eslavos e asiáticos se desperdicem em campanhas de propaganda política, pois podiam, talvez sem se esforçar muito, ajudar a compreender mentalidades e culturas tão distantes das do resto da Europa.

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