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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

29.04.22

A História repete-se?


Luís Alves de Fraga

 

É comum ouvir dizer que a História se repete, embora com actores diferentes e noutros tempos. Nada pode ser mais falso! A História não se repete, embora pareça. São simples aparências. A História tem pontos de coincidência, mas é somente isso: coincidências e não igualdades, daí que não se possa falar em repetições.

Mas, da História e dessas coincidências, podem extrair-se lições, tal como cada um de nós, no sentido individual, tira ‒ os que tiram, está bem de ver! ‒ ilações do seu passado, umas para tentar repetir, salvaguardadas as circunstâncias, e outras para evitar.

Posto isto, hoje lembrei-me, face às actuais circunstâncias que a Europa atravessa, para não falar do mundo, de vos brindar com a lembrança de um conjunto de acontecimentos passados quase no final da década de 1930, para ajudar nas chamadas coincidências da História. Outras coincidências que ninguém recorda, embora relembre, pelos menos, um dos personagens, um tipo com um ridículo bigodinho…

Vamos a isto?

 

A 2.ª República em Espanha foi proclamada em 14 de Abril de 1931, depois de uma estrondosa vitória eleitoral dos republicanos aquando das eleições municipais. O rei, Afonso XIII, abandonou o trono, fugiu e, depois, no exílio, abdicou no seu filho Juan de Borbom.

Em Julho de 1936, uma conspiração de generais nacionalistas, que, depois de algumas peripécias, permitiu ao general Francisco Franco chefiar a sangrenta e terrível guerra civil na vizinha Espanha.

Claramente, do lado republicano lutava-se pela democracia e pela liberdade e do lado nacionalista pela ditadura, pelo obscurantismo e pelo genocídio de todos os que não perfilhassem as ideias de Franco.

De ambos os lados praticaram-se barbaridades, fuzilamentos sem julgamento prévio, destruições absurdas. Nas mesmas aldeias, famílias que sempre se haviam respeitado, combateram-se, separando-se e denunciando-se às forças dos lados que se batiam palmo a palmo pela conquista do território.

Os republicanos receberam apoio em armas e alguns conselheiros militares da Rússia e do México, enquanto os governos de França, Grã-Bretanha e Estados Unidos se declaravam neutrais e não forneciam qualquer apoio em armamento. Mas muitos cidadãos desses países, por razões ideológicas vieram combater ao lado dos republicanos nas chamadas Brigadas Internacionais.

Portugal, à socapa, passou, de imediato a apoiar e auxiliar naquilo que era possível, os nacionalistas, porque outra coisa não se esperava da ditadura anticomunista de Salazar. Mas, descaradamente, com envio de tropas e de todo o tipo de armas, puseram-se ao lado dos nacionalistas a Alemanha nazi e a Itália fascista.

A guerra durou três anos ‒ a vitória de Franco e dos nacionalistas ‒ festejou-se nas ruas de Madrid, com um desfile militar, no dia 1 de Abril de 1939, poucos meses antes do começo da 2.ª Guerra Mundial.

 

Adivinho a pergunta: «Onde estão as coincidências?»

Pois bem, quem é que auxiliou fortemente, com armamento e com tropas bem treinadas, o vencedor, o ditador, o torcionário?

Aqueles que se preparavam para a guerra que se seguiu: os nazis alemães e os fascistas italianos. Foram esses que se empenharam a fundo na vitória do ditador Francisco Franco, que, dez anos depois do final da guerra civil, ainda mandava fuzilar em segredo os democráticos republicanos que foram sendo denunciados ou que caíram sob a alçada das forças policiais.

A coincidência é quase subtil e desvendo-lhe uma parte: a Ucrânia só se tornou um Estado soberano, por vontade de Moscovo, em 1991, então, podemos dizer que, sem ter de forçar demasiado a História, o actual conflito é uma guerra civil, porque na Ucrânia há muitos russos que ficaram nos seus lares após a independência. Esta é uma das subtis coincidências; a outra procurem-na entre quem está a alimentar a resistência ucraniana e porquê.