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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

24.04.22

A guerra e o PCP


Luís Alves de Fraga

 

A posição assumida pelo PCP, aquando da intervenção de Presidente da Ucrânia no nosso parlamento, tem sido largamente criticada, porque se negou a estar presente e porque, depois, ainda fez uma pequena conferência de imprensa sobre o assunto.

Ontem, na CNN portuguesa vi e ouvi um programa em que só faltou ao coordenador e aos intervenientes condenarem à ilegalidade o Partido Comunista. Ouvi algumas barbaridades ditas por quem ainda não tinha nascido aquando do 25 de Abril de 1974.

Claro que não venho aqui defender o PCP. Mesmo que o quisesse fazer não havia condições para tal. Mas vou tentar explicar as razões do PCP.

 

Antes do mais, o PCP está ideologicamente nos antípodas da ideologia política dominante nos EUA. Sabemos e percebemos que, por trás desta guerra a incentivá-la está o Governo de Washington, logo há um confronto frontal entre os comunistas e os americanos. Esta é uma das razões do PCP. Mas, sendo, talvez, a principal, não justifica a atitude do partido.

Depois, há aquilo que, na Europa e no mundo ocidental, está completamente esquecido: na Ucrânia a prevalência ideológica, dentro dos quadrantes comuns da classificação dos partidos políticos, é de direita e, até, de extrema-direita. Os partidos de esquerda, incluindo o comunista, estão ilegalizados e são perseguidos. Mais um motivo para juntar ao anterior, que leva o PCP a não aceitar estar presente.

De seguida, Zelensky apresenta-se como vítima da Rússia e, em particular, de Putin. Ora, a verdade é que as Forças Armadas ucranianas, que integraram no seu seio, bandos políticos armados de ideologia pró-nazi, desde 2014, tem vindo a provocar o Governo de Moscovo naquilo que o afecta mais: a possibilidade de adesão à NATO, gerando a possibilidade de colocar perto da fronteira mísseis capazes de alcançar alvos estratégicos russos. Os ucranianos, para que se perceba, têm tido o comportamento daqueles adolescentes que fazem bulling sobre o companheiro de carteira, na escola, levando-o à exaustão e a, usando da força que têm (quando a têm), lhe dar um verdadeiro arraial de pancada, queixando-se, de seguida, que foram agredidos.

A propaganda ‒ excelentemente bem montada ‒ tem levado o mundo inteiro a não ser capaz de inverter o cenário (como acabei de fazer) e perceber que os interesses estratégicos da Rússia estão a ser ameaçados pelos EUA e, por arrasto, pelos restantes países europeus. O PCP vê com clareza o cenário descrito. E mais, vê que para os EUA tudo isto tem finalidades secundárias, nomeadamente, são avisos contra a China.

 

O PCP, que não foi capaz de aplicar os princípios do judo ‒ utilizar a força do adversário para o vencer ‒ está, agora, a tentar inverter a situação, reconhecendo que se bate pela causa da paz. A resposta da oposição é evidente: a Ucrânia deve erguer a bandeira branca e render-se?

Não se trata de uma rendição… que é a percepção da maioria dos mais do que sobrecarregados ocidentais com propaganda para fazer chorar as pedras da calçada; trata-se de fornecer à Rússia aquilo que ela tem exigido da Ucrânia: a neutralidade militar.

Estará, agora, Moscovo, depois das conquistas militares que já fez, disposto a pactuar? Julgo que não. Neste momento a Ucrânia terá de ceder o que já está ocupado pelos russos e negociar a redução de estragos a que levou a sua atitude de desafio. Isso só se faz à mesa das negociações, mas com as armas já em silêncio. Ora, neste preciso momento, se Zelensky propuser um cessar-fogo internamente é apeado do poder, o que prova que não está já a defender os ucranianos, está a defender a sua posição política.

 

O PCP teria de vir calmamente esclarecer todos estes pontos de vista e justificar o erro da sua não presença no parlamento. Mas explicar e justificar com base no desejo de paz e da não intervenção de outros Estados na política interna de cada um, que é aquilo em que os EUA são useiros e vezeiros.

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