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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

23.04.20

A Grande Guerra revisitada


Luís Alves de Fraga

O Fim da Ambiguidade - 2ª ed.jpg

 

 

Como regra, há muitos anos, leio vários livros ao mesmo tempo, ou seja, é normal ter dois ou três livros em sítios diferentes da casa para onde me desloco com a finalidade de os ler. Quando digo livros, não falo de romances ‒ que só leio muito de quando em vez ‒, mas de ensaios.

De momento, tenho um cuja leitura entrou em ponto morto e vai-se arrastando penosamente; leio-o com dificuldade, porque se tornou monótono.

 

Estou entusiasmado com um grosso volume ‒ seiscentas e cinquenta e cinco páginas ‒ do neoconservador Niall Ferguson, com o título O Horror da Guerra: 1914-1918. A obra foi publicada, no original, em 1988, e só está traduzida em português desde 2018, pela editora Temas e Debates.

Trata-se de um historiador escocês com renome internacional e influência política na Grã-Bretanha, em França e nos Estados Unidos. A posição através da qual procura estabelecer originalidade centra-se na ruptura com as explicações usuais, buscando um olhar diferente sobre explicações anteriores. É o que faz no volume que estou a ler.

 

Ainda não cheguei ao final da obra, mas já posso tirar algumas conclusões: o autor questiona todas as homenagens que se fundamentem no heroísmo e nos valores de amor à pátria, nomeadamente na célebre afirmação latina de que É doce e honroso morrer (…); põe em dúvida a justificação para a beligerância britânica ter sido a invasão da Bélgica por tropas alemãs, tal como contesta, também, tantas outras explicações já tradicionais na historiografia da Grande Guerra. Depois, para total espanto meu, propõe-se fazer análises, partindo da posição condicional, ou seja, dito por outras palavras, se tal coisa não tivesse sido como foi como é que teria sido?

Desta maneira, tanto quanto entendo, não se faz História; fazem-se juízos políticos ou, no mínimo, romanceiam-se os factos, baralhando-os de acordo com a vontade do escritor, tornando hipotético o acontecimento e a explicação do mesmo.

 

Claro que a História se refaz e não pode dizer-se que está completa. Este refazer passa por encontrar outras explicações viáveis e verosímeis; jamais poderá ficar à deriva ou sujeito à vontade de quem aborda a temática em análise.

Tentarei explicar melhor o meu ponto de vista.

A verdade, em sentido absoluto, não existe; existem verdades para os acontecimentos que envolvam vários actores. Assim, a verdade de um, quanto à ocorrência em observação, será diferente da de outro, porque os condicionalismos que os levaram a agir de certa maneira são, também eles, diferentes. Deste modo, a história, o relato da ocorrência, terá de levar em conta toda a gama de fios que se entrelaçaram para se chegar ao tecido final.

Levando em consideração o que acabo de expor, conclui-se que a História se refaça com uma só finalidade: explicar melhor todas as condicionantes que determinaram a ocorrência dos factos tal como aconteceram e nunca como poderiam ter acontecido.

 

Vou continuar a ler o livro de Niall Ferguson, com o mesmo entusiasmo com que o iniciei, mas olhando-o criticamente, porque, sendo ele um neoconservador, simpatizante da causa de Marine Le Pen, me faz lembrar aqueles que, por cá, também querem reescrever a História lavando-a da nódoa salazarista. Seja como for, uma coisa tenho-a como certa: a razão da beligerância portuguesa já a expliquei, deixando-a escrita para a posteridade, e fi-lo, sem distorções, através de uma análise das condicionantes nacionais e internacionais da época, não dando origem a anacronismos. Admitindo que possa haver alguma coisa a acrescentar, os acrescentos não alteram a essência do que eu expliquei, pela primeira vez, em Portugal.

 

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