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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

25.05.21

A explicação de uma guerra


Luís Alves de Fraga

 

Miguel Sousa Tavares ‒ que não colhe a minha simpatia ‒ explicou hoje, na edição do “Expresso”, de forma simples como se conseguiu, uma vez mais, estabelecer o estado de guerra entre Israel e a Palestina.

Gostei e transcrevo aqui uma pequena parte para que os meus amigos e leitores possam compreender como os pulhas fazem política para safar a sua pele, estando-se nas tintas para todas as vidas que se percam pelo caminho, sejam de compatriotas seus ou de seus inimigos.

Isto, realmente, vem mostrar que a democracia de hoje não é, em nada, semelhante à de há sessenta anos nos Estados onde a existia e se praticava. Sob o manto democrático fazem-se as mesmas trafulhices indecentes, porcas e condenáveis que se fazem nas ditaduras “democráticas” de hoje tal como se faziam nas ditaduras de “mão pesada” de ontem.

Ora leiam, por favor.

 

«Só alguém tão amoral e desprovido de escrúpulos como Benjamin Netanyahu conseguiria engendrar um plano tão maquiavélico como o que ele montou para salvar o próprio pescoço, ao preço de pôr mais uma vez a Palestina a ferro e fogo. Primeiro, e com a colaboração do Supremo Tribunal de Israel, engendrou uma causa em que alguns dos seus sinistros aliados judeus ortodoxos obtinham vencimento na reivindicação de supostos direitos de propriedade milenares sobre casas onde viviam há décadas famílias de árabes israelitas, antes expulsos da Cisjordânia, ocupada ilegalmente por Israel desde 1967. E em Jerusalém Oriental, território sob administração oficial da Jordânia, e em relação a cidadãos que têm oficialmente a cidadania israelita. Tal como tinha previsto e era inevitável, isto conduziu a manifestações de árabes israelitas, que ele, imediatamente e seguindo o seu plano, mandou reprimir brutalmente, dando ordens à polícia para invadir, inclusivamente, uma mesquita. Com isso conseguiu logo duas coisas: que o Governo alternativo que se estava a formar ao seu, e que incluía o partido árabe israelita, caísse por terra face à repressão sobre os árabes e que, sendo assim, ele se mantivesse no poder e escapasse ao julgamento por corrupção de que é alvo. E, depois, o três em um ou o quatro em um: previu que o Hamas iria cair na armadilha da provocação e não iria resistir a mostrar que, a partir de Gaza, era a única entidade capaz de resistir à repressão de Israel sobre os palestinianos. E quanto mais protagonismo no terreno ganham os “terroristas” do Hamas mais enfraquecida politicamente fica a Autoridade Palestiniana e a OLP, a facção negociadora da solução “dois Estados” que os ultras de Israel nunca quiseram, nem querem. E, portanto, assim que o primeiro rocket proveniente de Gaza subiu aos ares para logo ser destruído pelo sofisticado sistema antiaéreo de Israel, Netanyahu esfregou as mãos de felicidade: Israel estava oficialmente em guerra e, como disse Biden, tendo sido atacado, tinha o direito de se defender.»