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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

28.10.22

A energia nuclear


Luís Alves de Fraga

 

Era eu menino, andava na chamada instrução primária, e, recordo, havia um pequeno texto no livro de Língua Portuguesa sobre “a hulha branca”, que nos explicava que as barragens era um substituto das “fábricas de produção eléctrica a carvão”. Ainda hoje existe, já só servindo de museu, um desses exemplares, em Belém, junto ao rio Tejo.

Desse tempo para cá ‒ digamos, qualquer coisa como setenta e dois ou três anos ‒ para além da construção de muitas barragens (na época fazia furor a do Castelo do Bode), desapareceram as centrais eléctricas a carvão e surgiram os “moinhos de vento” (captação da energia eólica) que, aproveitando a força do vento, acrescentam produção eléctrica à que é obtida com a energia gerada pela queda da água nas barragens. Contudo, nestes setenta e tal anos, no estrangeiro ‒ na Espanha, aqui ao lado, também ‒ construíram-se outras fontes de produção eléctrica, bastantes vezes criticadas, mas de uma limpeza ambiental extraordinária e de uma capacidade de produção fora de quaisquer limites pensáveis: as centrais nucleares.

 

Foi controversa essa decisão no mundo, por associá-la às explosões nucleares e aos perigos que podem representar fugas radioactivas, se ocorrerem defeitos no fabrico das infraestruturas ou mau funcionamento nos mecanismos de fusão atómica.

Em Portugal, desde logo, no pós 25 de Abril de 1974, a contestação à construção de uma central nuclear foi tema de importância, sendo que se percebia, de imediato que o desenvolvimento industrial dependia desta falha energética. Quarenta anos depois da onda sobre o nuclear, o nosso país continua atrasado por falta de energia eléctrica. Aliás, a electrificação geral é bastante deficiente nas nossas cidades, já para não referir a das nossas aldeias.

 

Foi precisa esta crise resultante da guerra russo-ucraniana para, de novo, se falar nas centrais nucleares em Portugal, mas, atentando bem, repara-se que o governo desviou com grande mestria a questão que sabia ser polémica para levantar a solução do gasoduto entre a Espanha e a França. O gás vai continuar a manter o nosso país na cauda da Europa. Só uma central nuclear de média potência servirá para tornar a electricidade barata e muito acessível à indústria e ao uso doméstico, fazendo baixar a factura de modo a que o dinheiro chegue para ser canalizado para outro tipo de consumos. Nos tempos que correm já se fazem centrais nucleares muito seguras e não excessivamente caras. Todavia, tenho a certeza que uma tal decisão, se algum dia for discutida, vai demorar tanto como a do aeroporto de Lisboa ou, pelo menos, como a do Alqueva. As decisões estratégicas, entre nós, são lentas e, quando se concluem já estão ultrapassadas.

É uma pena, porque uma central nuclear levaria Portugal para uma posição mais aceitável no conjunto dos Estados europeus.