A educação dos educadores
Deparei-me hoje com a notícia de que a Polícia de Segurança Pública (PSP) vai aumentar a segurança do ministro da Educação por este ter sido alvo de ameaças e ataques à sua viatura com ele lá dentro. Numa atitude, naturalmente pensada e ponderada, desvaloriza o assunto, atribuindo-o à rivalidade entre sindicatos de professores.
Pessoalmente estou em sintonia com os professores, até porque tenho alguns na minha família chegada e sei o empenho que têm de ter para exercer com correcção o trabalho de educadores. Mas não posso concordar com manifestações públicas ou privadas de violência contra o ministro ou qualquer membro do Governo seja qual for a razão reivindicativa. Tais acções são próprias de quem não entende o que é a democracia nem o modo como ela se conduz, ficando muito próximas das que são usuais na extrema-direita ou fascista.
Quando na Europa há uma clara tendência para apoiar grupos políticos de extrema-direita (veja-se aqui ao lado, na Espanha, o que já está a acontecer em certas comunidades dominadas pelo Vox) eu recordo o horror do nazismo, do fascismo italiano e do franquismo. Todos eles começaram por exaltar a violência, tendo como principal alvo a prova de que a democracia não oferecia a tranquilidade necessária ao crescimento e estabilidade das nações.
Quando a democracia aceita no seu seio os movimentos que atentam contra ela o único meio a contrapor é o da força contra aqueles que, pela desordem, querem o fim das liberdades. Por isso, os professores activistas e propugnadores de meios violentos para alcançarem os seus direitos devem rever as suas atitudes e os seus métodos sob pena de estarem a contribuir para o mal-estar nacional e para viabilizar medidas que não são as mais apropriadas para a vivência em democracia.