A água
É por causa do efeito de estufa, dizem os entendidos nas questões climáticas, que se faz sentir a falta de água em certas regiões da Terra. Pois seja.
Por cá, em Portugal, e, parece, por toda a Europa, ensina-se, logo nos primeiros anos de escola elementar, a poupar água e a combater a poluição. Que bom!
As nossas crianças chegam a casa e explicam aos pais e aos avós como se deve poupar água, como se deve lavar a loiça sem desperdiçar o precioso líquido, como se deve fazer a separação dos lixos para permitir a reciclagem e termos, no futuro, uma Terra para todos.
Tudo isto está muito certo, mas a verdade é que a água não se perde, porque não passa da camada atmosférica, nem das redes freáticas do subsolo. A água é sempre a mesma e foi sempre a mesma. Evapora-se, torna-se nuvem, depois em chuva, que pode ficar gelada ou líquida; uma vez líquida ou cai no mar ou cai em terra ou cai nos polos ou nas montanhas geladas. Ela está cá; pode é não estar nos sítios devidos e não servir onde deve servir. Assim, há que pensar num sistema que torne a água acessível a todos, sem termos de esperar que seja a Natureza a dá-la de borla como acontecia antes das chamadas alterações climáticas.
Os Homens têm de estudar processos de trazer a água de onde ela existe em excesso para as zonas onde falta, usando para isso ou a dessalinização da água salgada ou canais ou “águadutos” (aquedutos) enterrados, submarinos ou aéreos.
A par da campanha para se acabar com a poluição tem de haver a campanha de distribuição mundial da água, pois do modo que se propagandeia o consumo excessivo do precioso líquido não se vai chegar a lado nenhum e ficamos com a ideia de que a água, um dia, acabará.
A água só será um bem finito se for poluída de forma a não poder ser recuperada e, mesmo assim, tenho sérias dúvidas da sua finitude. Realmente, pode tratar-se a água, mesmo poluída para a tornar potável… Evidentemente, deixa de ser um bem quase gratuito para passar a ser um bem com elevado valor económico.
Acima de tudo, o problema da água é um problema de egoísmo e comodismo humano, nada mais.