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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Forças Armadas

 

Chegou-me à mão a digitalização de um documento de trabalho com o despacho e directiva do ministro da Defesa Nacional sobre a reforma das Forças Armadas.

Li com atenção. As concepções delineadas traduzem o total desconhecimento do que são e para que servem as Forças Armadas para não falar já do desconhecimento como elas “funcionam” e do que as anima para serem como são. O ministro reduz as Forças Armadas a um conjunto de homens e mulheres que poderiam fazer bolos, fritar farturas, cozinhar sopas ou apagar fogos em prédios urbanos, por exemplo. A única lógica que se descortina em todo o documento – e são dois, um sobre o conceito de reserva – é a ânsia de poupar dinheiro a todo o custo!

O ministro da Defesa Nacional desconhece o mais elementar sobre Forças Armadas e Defesa: é que há um limite abaixo do qual as Forças Armadas não servem absolutamente para nada a não ser para gastar dinheiro e “enfeitar” algumas cerimónias do Estado. Esse limite está já ao alcance da mão, se se levar por diante o disparate que o ministro determina.

Sei, há mais de sessenta anos, que muita gente em Portugal contesta a necessidade da existência de Forças Armadas. Esses sabem do “assunto” um pouco menos do que o ministro. Não é para esses que eu escrevo. Escrevo para aqueles que compreendem que umas Forças Armadas têm de ter um nível de credibilidade militar para poderem ser um instrumento minimamente útil em termos de dissuasão de “veleidades” estrangeiras, quer se apresentem sob a forma clássica de ameaças à soberania e independência de um Estado, quer se manifestem sob a forma mais subtil de acções terroristas praticadas no plano interno.

A reforma das Forças Armadas levada a cabo pelo antigo ministro Fernando Nogueira – por acaso ele também militante do PSD – tinha, com algumas imperfeições, deixado as fileiras com a credibilidade ainda aceitável para poderem ser um elemento mínimo de dissuasão do Estado português. O facto de se ter acabado com o serviço militar obrigatório – para satisfazer o clientelismo das juventudes partidárias – encareceu brutalmente todo o custo de funcionamento das Forças Armadas e, em especial, o do Exército, mas tratou-se de uma opção que, discutível, foi aceite pelos chefes militares de então e continuada pelos que se seguiram. Tentar, sobre a reforma do começo dos anos noventa do século passado, reduzir alguns custos sem afectar a operacionalidade, ainda se poderia aceitar, muito embora o funcionamento das Forças Armadas já estivesse, como se costuma dizer, “no osso”. Mas fazer o que o ministro determina – disse bem, determina com a mesma arrogância que um qualquer cabo de guerra pouco entendido em coisas castrenses o faria – determina, dizia, é um absurdo, que vai da existência de uma única Academia para a formação de oficiais do quadro permanente dos três Ramos, até extinção de organismos infra-estruturais de apoio logístico fundamental para a boa vivência das Forças Armadas, passando por unificações funcionais distintas e, às vezes incompatíveis, como seja a dos Instituto Hidrográfico e Instituto Geográfico do Exército ou, ainda, concentrar numa única infra-estrutura os Depósitos de Material dos Ramos, ou estabelecer o isolamento institucional dos Ramos em relação ao Poder político através de só aceitar dialogar com o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, recusando o acesso aos Chefes dos Estados-Maiores dos Ramos. Enfim, é a descaracterização das Forças Armadas! E isto faz-se porque as Forças Armadas não se permitem levar a cabo greves e manifestações públicas de desagrado como acontece com todos os restantes servidores do Estado! Isto faz-se porque as Forças Armadas não alçam a garupa e não dão dois coices no Poder! Isto faz-se porque, embora fortes e com a máxima força interna no país, as Forças Armadas ainda estão dispostas a acatar o que for possível acatar pondo em causa e em risco o bem mais sagrado que elas tem de defender: a independência e a soberania nacionais! A tanto e a tão longe não foram Salazar e o seu braço direito – Santos Costa - na “domesticação” das Forças Armadas. Não se atreveram! Havia medo da reacção da “tropa”, coisa que hoje não existe em nome da “faca de capar” chamada União Europeia!

E mais não digo, porque estou absolutamente incapaz de o fazer sem entrar a dizer toda a casta de disparates que a ponderação aconselha que cale.

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