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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

03.02.13

Redundâncias


Luís Alves de Fraga

 

O Governo quer “emagrecer” o Estado e, para isso, “emagrece” os serviços que este presta aos cidadãos. Poderia escolher outras vias e uma delas é a da redundância de repartições públicas – redundâncias injustificadas.

Há dias interroguei-me sobre uma delas. Explico-a.

 

Antes de termos aderido ao sistema europeu de ensino superior – ao chamado processo de Bolonha – a entidade que regulava e superintendia, em todos os aspectos, o ensino superior em Portugal era a Direcção-Geral do Ensino Superior que tinha os seus técnicos devidamente credenciados. A verdade é que o ensino superior funcionou durante muitos anos sob a tutela daquela Direcção-Geral (um director-geral por mês ganha mais do que um general das Forças Armadas e isto não dizem os políticos nem a comunicação social nos seus ataques à “tropa”!) e funcionou bem e sem exageradas burocracias. As universidades gozavam de alguma autonomia administrativa e formaram milhares de licenciados com bons resultados gerais. Os institutos politécnicos funcionaram bem durante anos a fio e deram à sociedade milhares de técnicos competentes, gozando também de certa autonomia administrativa.

Veio “Bolonha” e teve de se criar um organismo que dá pela designação de A3ES (Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior) que não excluiu a Direcção-Geral, mas passou a fazer aquilo que, em linhas gerais, lhe competia. Redundância no sistema!

 

Por força da adesão a “Bolonha”, o ensino superior (universitário e politécnico) genericamente baixou de qualidade formativa, tornando-se uma licenciatura num estudo de generalidades seguida de um mestrado que se reduziu quase a um simples “pro forma” para justificar mais dois anos de um provável empenhamento na formação superior – as “velhas” teses de mestrado onde se investia a fundo na investigação de modo a trazer abertura de novos conhecimentos, passaram a ser dissertações de pequena dimensão (de preferência estudos que não vão além de um máximo de 150 páginas nas áreas das ciências sociais e humanas); os doutoramentos deixaram de ser corolários de uma vida de investigação e de publicação de trabalhos aprofundados para serem diplomas que se obtém depois de quatro anos de um empenhamento escolar orientado e três de pesquisa com vista à elaboração de uma tese original (nas ciências sociais e humanas devem ficar-se por, um máximo, 300 páginas)!

 

Mas a A3ES tinha que se justificar e, vai daí, desata a impor burocracias que afogam docentes e instituições em trabalho de produção de informação que justifica a grandeza do organismo sem que se faça desaparecer a Direcção-Geral do Ensino Superior.

Ocorreram vantagens para as universidades e institutos politécnicos? É provável que algumas tenham surgido, mas a adesão a “Bolonha” degradou a qualidade de todo o ensino superior, aumentou a carga burocrática nos estabelecimentos onde ele se ministra e sobrecarregou o Estado com mais um organismo que, para se justificar, tem de “borrifar” com “trabalho” todos aqueles que lhe passam perto, porque isso garante-lhe a existência “eficiente”, pois mostra que faz muita coisa. E a Direcção-Geral do ensino superior continua hirta e firme no seu lugar, limitando-se a tratar de meia dúzia de assuntos (vejam o respectivo sítio na Internet).

Estas “gorduras” não as vê o Governo nem os seus “preclaros” e “sábios” assessores. Os pensionistas e os trabalhadores “enchem-lhe” mais o olho guloso!

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