Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Redundâncias

 

O Governo quer “emagrecer” o Estado e, para isso, “emagrece” os serviços que este presta aos cidadãos. Poderia escolher outras vias e uma delas é a da redundância de repartições públicas – redundâncias injustificadas.

Há dias interroguei-me sobre uma delas. Explico-a.

 

Antes de termos aderido ao sistema europeu de ensino superior – ao chamado processo de Bolonha – a entidade que regulava e superintendia, em todos os aspectos, o ensino superior em Portugal era a Direcção-Geral do Ensino Superior que tinha os seus técnicos devidamente credenciados. A verdade é que o ensino superior funcionou durante muitos anos sob a tutela daquela Direcção-Geral (um director-geral por mês ganha mais do que um general das Forças Armadas e isto não dizem os políticos nem a comunicação social nos seus ataques à “tropa”!) e funcionou bem e sem exageradas burocracias. As universidades gozavam de alguma autonomia administrativa e formaram milhares de licenciados com bons resultados gerais. Os institutos politécnicos funcionaram bem durante anos a fio e deram à sociedade milhares de técnicos competentes, gozando também de certa autonomia administrativa.

Veio “Bolonha” e teve de se criar um organismo que dá pela designação de A3ES (Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior) que não excluiu a Direcção-Geral, mas passou a fazer aquilo que, em linhas gerais, lhe competia. Redundância no sistema!

 

Por força da adesão a “Bolonha”, o ensino superior (universitário e politécnico) genericamente baixou de qualidade formativa, tornando-se uma licenciatura num estudo de generalidades seguida de um mestrado que se reduziu quase a um simples “pro forma” para justificar mais dois anos de um provável empenhamento na formação superior – as “velhas” teses de mestrado onde se investia a fundo na investigação de modo a trazer abertura de novos conhecimentos, passaram a ser dissertações de pequena dimensão (de preferência estudos que não vão além de um máximo de 150 páginas nas áreas das ciências sociais e humanas); os doutoramentos deixaram de ser corolários de uma vida de investigação e de publicação de trabalhos aprofundados para serem diplomas que se obtém depois de quatro anos de um empenhamento escolar orientado e três de pesquisa com vista à elaboração de uma tese original (nas ciências sociais e humanas devem ficar-se por, um máximo, 300 páginas)!

 

Mas a A3ES tinha que se justificar e, vai daí, desata a impor burocracias que afogam docentes e instituições em trabalho de produção de informação que justifica a grandeza do organismo sem que se faça desaparecer a Direcção-Geral do Ensino Superior.

Ocorreram vantagens para as universidades e institutos politécnicos? É provável que algumas tenham surgido, mas a adesão a “Bolonha” degradou a qualidade de todo o ensino superior, aumentou a carga burocrática nos estabelecimentos onde ele se ministra e sobrecarregou o Estado com mais um organismo que, para se justificar, tem de “borrifar” com “trabalho” todos aqueles que lhe passam perto, porque isso garante-lhe a existência “eficiente”, pois mostra que faz muita coisa. E a Direcção-Geral do ensino superior continua hirta e firme no seu lugar, limitando-se a tratar de meia dúzia de assuntos (vejam o respectivo sítio na Internet).

Estas “gorduras” não as vê o Governo nem os seus “preclaros” e “sábios” assessores. Os pensionistas e os trabalhadores “enchem-lhe” mais o olho guloso!

1 comentário

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2006
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2005
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D