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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Liberdade, segredo e confiança

 

Com risco de me repetir, direi que a liberdade só se consegue exercer plenamente quando se conjugam dois elementos indispensáveis: o segredo e a confiança. Não falo, está claro, da liberdade comum, da liberdade que se pratica e desejamos que exista na sociedade dita democrática. Essa liberdade contempla a possibilidade de se dizer mentiras! Essa liberdade, afirma-se vulgarmente, “acaba onde começa a liberdade do outro” o que é um embuste absoluto, pois se eu estender a minha liberdade para além dos limites do conveniente estou a reduzir a liberdade do outro! Terei de perguntar: - Então que raio de liberdade é esta?

 

A verdadeira liberdade é aquela que me leva a não ter limites nem peias para o meu pensamento nem para a sua expressão; é a que me coloca frente a mim próprio, frente àquilo que penso e nem sempre ouso dizer em voz alta. Essa é a Liberdade. Essa, para que seja passível de ser praticada, exige a existência dos tais dois elementos: segredo e confiança.

Para ilustrar a minha afirmação, permitam-me que vos conte uma breve história verdadeira.

 

Pêro da Covilhã, o espião que D. João II mandou fazer a exploração terrestre dos mercados do Oriente – Índia, costa oriental de África e o célebre e misterioso reino do Preste João – acabou por ficar prisioneiro na Abissínia durante todo o resto da sua vida. Só em 1520, depois de ter deixado o reino de Portugal em 1487, teve oportunidade de falar com um eclesiástico católico – o Padre Francisco Álvares – que integrava a embaixada que de Goa havia partido para visitar o reino do Preste João. Na Abissínia praticava-se o cristianismo copta e Pêro da Covilhã não se confessava havia trinta e três anos, porque, explicou a Francisco Álvares, não tinha confiança nos sacerdotes locais pois não guardavam o segredo do confessionário. Ou seja, o espião de D. João II evidenciou que só abria a sua alma e só era verdadeiramente livre com alguém que lhe desse garantias de confiança e de sigilo.

 

Essa liberdade completa e absoluta só é factível entre gente que sabemos estar obrigada ao silêncio e que, para além da obrigação, sabemos que o pratica. Essa liberdade é, afinal, a Liberdade; a Liberdade que modifica e que constrói o ser humano, que faz dele um verdadeiro e consciente democrata, porque a construção da democracia passa pela modificação interna e profunda do Homem. Essa modificação é de carácter cívico e moral; obriga ao respeito e à grandeza de sentimentos. É uma liberdade que, quando praticada regularmente, é “terapêutica”, pois lima e desbasta as arestas do preconceito e tende a buscar a Verdade e a Perfeição. É uma liberdade que respeita a Natureza e a humanidade. É uma liberdade que ajuda à construção de sociedades justas.

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