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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Revolução

 

Em 1975 – os mais novos já não se lembram – Portugal parecia ameaçado de uma ruptura do modelo político aceite, então, como “normal” no Ocidente: a democracia parlamentar. Tudo parecia encaminhar o país para uma democracia socialista ou, se se quiser, para uma democracia comunista.

Vivi esses tempos com idade para compreender o que se passava – trinta e quatro anos – e nunca acreditei que a viragem para o modelo comunista fosse possível! Talvez se tivesse podido levar a revolução um pouco mais longe, mas nunca até à situação de aqui se criar um Estado comunista. Em nome do equilíbrio de forças internacionais e especialmente europeias, Moscovo sacrificaria o processo revolucionário – tal como sacrificou – limitando as ambições do PCP. Portugal, situado na Península Ibérica, com uma ampla frente atlântica e estrategicamente implantado na entrada do Mediterrâneo não poderia passar a ser um “satélite” da URSS. Cuba foi um acaso num outro tempo e em outras circunstâncias! O seu exemplo não se ia repetir na Europa nos anos 70 do século XX. E tanto assim foi que, de facto, não se repetiu! Na altura, importante para a União Soviética era que se fizesse toda a descolonização e os novos Estados circulassem na órbita de Moscovo. Assim, depois da independência de Angola – a última colónia a assumir em mãos o seu destino – em 11 de Novembro de 1975, deixou-se que a extrema-esquerda de então se “espalhasse” no golpe que o centro-direita democrático lhe preparou em 25 de Novembro e que o PCP não secundou. Álvaro Cunhal foi muito claro no comício que fez na praça do Campo Pequeno na tarde do dia 8 de Dezembro de 1975: condenou, sem rodeios, a extrema-esquerda e “associou-se” ao bloco democrático que iria passar a ter assento na Assembleia da República. Por certo ele tinha perfeito conhecimento das opções estratégicas que se traçavam em Moscovo. É preciso ter consciência que a dinâmica revolucionária não é exclusivamente espontânea e que não resulta somente da vontade popular… ela obedece a estratégias superiores onde se analisam todos os interesses em jogo!

 

Ora, o que acontece actualmente em Portugal e na Europa é que externamente alguém determinou que se tem de provocar uma revolução profunda no modelo de sociedade vigente. Alguém que tem uma estratégia e que domina os interesses capitalistas do mundo presente. Alguém que quer ver reduzidas as democracias e as capacidades dos povos a cinzas. Alguém que pretende acabar com o Estado-social e quer impor o mais puro liberalismo económico em tudo semelhante àquele que se viveu no século XIX na Europa e nos EUA. Para isso é necessário que o Estado não tenha capacidade de intervenção económica no mercado, que não seja mais um parceiro a ter em conta nos ajustes que a alta finança pretende controlar em exclusivo. A debilidade económica da Grécia e de Portugal serve às mil maravilhas para começar a delinear a estratégia de domínio… Se a estes Estados se lhe juntar a Espanha, tanto melhor, pois assim se justifica que as economias mais fortes também se podem vergar. Passos Coelho, Paulo Portas e os seus partidos e apaniguados são os instrumentos desta revolução; não conduzem nada, não mandam nada, não pensam nada! São só e somente instrumentos de alguém que está a “ajeitar” as pedras no tabuleiro para fazer a grande jogada final. Nós mesmos somos meros números nesta revolução; uma revolução que pode ser levada a cabo porque já não há receio do “inimigo oriental”, já não há medo de Moscovo e da URSS que deixou de existir. Trata-se de aproveitar uma oportunidade única para relançar o poder da grande finança.

Resta saber se a China ainda se movimenta, de facto e realmente, no paradigma marxista ou se não está contaminada pelo modelo capitalista e impõe ao seu povo uma ditadura de capitalismo de Estado. Na arquitectura das forças internacionais a posição da China é mais determinante, hoje em dia, do que a dos EUA ou da Rússia. O velho “Dragão Oriental” acordou e estrategicamente movimenta-se por linhas interiores no mundo ocidental.

Atendendo a um certo determinismo histórico que fez de Portugal um Estado e, acima de tudo, um Povo pioneiro – fomos o primeiro reino europeu a definir, quase sem alterações, as fronteiras terrestres; fomos nós quem deu a conhecer ao mundo o mundo; fomos a segunda República moderna na Europa – resta saber se teremos a capacidade de, na senda do pioneirismo, solapar os projectos liberais que a alta finança tão confiadamente prossegue, gerando uma nova contra-resposta ao modelo que nos está a ser imposto. Teremos de ser inéditos na busca da solução e esta não se encontra, de certeza, com o apoio dos partidos do leque do centro-direita. Teremos coragem de “entrar”, de novo, numa “nau” quase desconhecida para descobrir novos “caminhos”? O que perderemos se tentarmos? Não será altura de lermos António Gramsci?

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