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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

IRS e outras coisas

 

Acabei, há pouco, de liquidar o IRS do ano passado (2011). Nunca na minha vida paguei ao Estado, de uma só vez, tanto dinheiro!

Não tenho “tachos”! Vivo do meu trabalho de professor do ensino superior privado e da minha pensão de reforma, depois de ter servido a Força Aérea durante mais de quarenta anos. Não tenho propriedades, para além do piso no prédio onde habito. Não faço parte de nenhuma assembleia-geral, para além da do condomínio do meu imóvel, nem presido a coisa nenhuma. Das organizações onde sou vogal ou conselheiro nada recebo.

 

A notícia do dia é, segundo parece, a de que o Governo assume que lhe falta realizar três milhões de euros de receita para chegar ao final do ano com as contas equilibradas. Numa frase simples, seguindo um raciocínio simples, poderíamos dizer que esse é o custo da recessão. E por quê? Porque se apontou a solução da crise para o lado da receita do Estado! Havia que “emagrecer” as despesas! Mas emagrecê-las através de uma análise de custo/benefício, ou seja: “Precisamos do organismo tal? Qual o benefício que advém para o Estado pela sua existência? E qual o prejuízo? O segundo é maior do que o primeiro? Então fecha-se o organismo em questão!”

Está claro que uma atitude desta natureza ia criar mal-estar entre os funcionários do Estado, acima de tudo e especialmente nos que trabalham em organismos “parasitas”, isto é, existem para dar emprego a gente e para repetir funções que poderiam ser desempenhadas por outros organismos. Querem um exemplo? Vamos pegar no caso dos helicópteros do INEM. Esse serviço de evacuação já foi feito pela Força Aérea (FAP) que tem uma estrutura montada para operação e manutenção de helicópteros; bastava voltar a utilizá-la! Não se trata de uma sobrecarga para a FAP, pois um serviço dessa natureza até permite manter operacionais os meios e o pessoal. Claro que teria de haver compensações financeiras pelo serviço prestado, mas era sempre muitíssimo mais barato e mais eficiente do que a existência de helicópteros do INEM.

Reparem os meus Caros Amigos e leitores que nesta semana o ministro da Educação deixou cair uma frase que vai no sentido de uma racionalização do ensino, mas sem a coragem de enfrentar e anunciar a acção de fundo. Disse ele que metade dos alunos do ensino elementar deve ser encaminhada para o ensino técnico. Onde quer chegar o ministro? À redução dos alunos que vão frequentar a universidade e depois não têm emprego condigno. Dito de outra maneira: quer reduzir o número de universidades estatais e de cursos universitários, reduzindo, também, e por consequência, o número de professores do ensino secundário não técnico e o número de professores universitários. Claro que fica sempre em aberto para quem quiser e puder a solução das universidades privadas, mas esse não é um problema do Estado!

É evidente que no meio desta análise de custo/benefício entram, depois, todos os pequenos interesses de “quintinhas”, dos “boys” e dos “compadres” que se traduzem em sucessivos empecilhos para a boa execução de uma política de redução de gastos desnecessários. É evidente, também, que no meio dessa análise entram em jogo outros valores, nomeadamente os ideológicos que pretendem reduzir o papel do Estado a nada ou quase nada, favorecendo os interesses privados e os capitalistas e grupos financeiros. Claro que no meio desta teia, que mais parece uma selva, é difícil traçar um caminho a seguir sem desvios.

Em face de tudo isto, pergunto-me se o Governo terá força para não ceder à tentação fácil de aumentar a carga fiscal dos cidadãos no próximo ano. Em consciência, julgo que não! Vamos, de uma forma ou de outra, voltar a ser espremidos.

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