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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

01.03.12

UMA QUESTÃO DE HONESTIDADE


Luís Alves de Fraga

 

Já por diversas vezes tenho ouvido responsáveis do PSD e alguns do CDS rebelarem-se contra as críticas feitas pelo PS ao regime de austeridade que está a ser imposto ao país sem que haja a preocupação de tentar – pelo menos, tentar – que se verifique, em simultâneo, algum crescimento económico para combater a recessão instalada. E o que dizem os responsáveis desses partidos governantes é que o PS foi quem assinou o entendimento com a troika. É evidente que foi e tal facto é incontornável, mas o seu anúncio, em jeito de desculpa, demonstra uma profunda falta de honestidade intelectual e política. Vejamos.

 

O PS, através de José Sócrates, no ano passado, para evitar a intervenção estrangeira em Portugal, comprometeu-se, em Bruxelas, a efectivar o PEC IV o qual redundaria num conjunto de medidas orçamentais que tornassem viáveis os empréstimos financeiros a uma taxa de juro ainda aceitável, embora ultrapassando, em muito, os valores da razoabilidade. Não carecia de autorização parlamentar, bastando-lhe a concordância formal dos partidos. José Sócrates tinha contra ele um clima que resultara não só da má governação, como das sucessivas mentiras, contradições e trapaças que durante anos lhe desgastaram, quase por completo, a imagem.

O PSD, com uma liderança ainda relativamente recente, mal preparado para assumir funções governativas, estilhaçado em conventículos que opunham “barões” contra “barões”, decidiu, obstaculizar a execução do PEC IV, abrindo caminho à única solução possível: o pedido de ajuda externa. José Sócrates aceitou que não tinha condições para governar e entrou em pura gestão corrente dos negócios do Estado. E foi nessa condição que negociou a ajuda externa e todas as cláusulas do ultimato que lhe foi imposto pela troika.

 

No mínimo, é desonesto virem, agora, responsáveis dos partidos do Governo recordar que, quem assinou o acordo de ajuda externa, foi o PS, tentando, desta forma amarrá-lo a um documento que lhe foi imposto pela ordem política interna e externa. Tentando, também, de uma maneira que se aproxima da chantagem política, calar a oposição da actual liderança do PS quando critica as medidas e, acima de tudo, a incapacidade de negociação do Governo que se coloca de cócoras perante a troika. Isto é desonestidade política e intelectual, pois o PSD pretende, aos olhos dos Portugueses fazer-se passar por “carrasco” somente porque “herdou” do PS uma situação já consumada. Estava consumada, porque o PSD gerou internamente condições para que assim fosse.

 

A posição do PCP e do BE é muitíssimo mais coerente, pois não quiseram tomar parte em conversações com os elementos que negociaram a ajuda externa, ficando, por tal motivo, libertos para todas as críticas. Para poder assumir igual posição ao PS e a José Sócrates só restava uma atitude profundamente reprovável e de total irresponsabilidade: entregar nas mãos do Presidente da República a governação e retirar-se imediatamente de cena, deixando o país sem Governo. Isso seria o descalabro nacional e internacional.

 

Senti necessidade de escrever este apontamento, porque, em abono da verdade, embora reprovando a governação de José Sócrates, não poderia deixar de reprovar a desonestidade do PSD e do CDS quando insinuam uma “castidade” política que, afinal, nunca tiveram.

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