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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Vandalismo

 

Têm sido notícia nos meios de comunicação os actos de vandalismo praticados na “Via do Infante”, no Algarve, contra os pórticos e componentes informáticos que permitem a leitura de matrículas e fixação de valores de portagem dos veículos que por ela circulam. Alguém anda a destruir sistematicamente o sistema. A reposição em funcionamento custa dinheiro e alguém vai ter de pagar. Porque se está a estragar um património designa-se o acto por vandalismo.

 

Para que fique claro, não sou adepto de actos de vandalismo, mas isso não me impede de os tentar compreender para os poder explicar. Não condeno só porque não concordo; condeno, porque o acto de vandalismo não tem rosto, porque, sendo anónimo, acaba por ter de ser pago por todos. Contudo, para compreender e explicar há que perceber as causas.

 

No caso vertente, a “Via do Infante”, para além de ter sido construída para servir o Algarve e o turismo, facilitando a deslocação paralela à linha da costa, veio substituir uma estrada velha, sobrecarregada de trânsito local, passando pelo meio de povoações, traçada ao ritmo do século XIX e para satisfazer necessidades de um tempo que já nada tem que ver com o actual. A alternativa à “Via do Infante” não existe, por ser caótica. Quem vive no Algarve e tem de se servir das chamadas Estradas Nacionais está perdido. Perdido, pois facilmente fica remetido a situações incontornáveis de lentidão, de consumo excessivo de combustível e desgaste prematuro da viatura. O pagamento de portagem na “Via do Infante” se atrapalhou o turismo, passou a atrapalhar muito mais quem vive dele ou está dele dependente. Encareceu o que devia ser atractivo; encareceu uma das poucas indústrias que a adesão à, então CEE, não destruiu. Fazer pagar o trânsito na “Via do Infante”, para além de ser mesquinho e medíocre, representa uma total falta de perspectiva estratégica presente e futura.

Olhemos o caso espanhol. Franco, muito antes de se pensar em adesão à CEE, mandou que se rasgassem auto-estradas por toda a Espanha que foram, numa fase inicial, pagas pelos utilizadores, mas que, a curto prazo, se tornaram gratuitas por se ter percebido o quanto mais importante era a circulação automóvel para o desenvolvimento regional espanhol. Não tenho a certeza, mas julgo que restam poucas auto-estradas pagas em Espanha. Os nossos vizinhos sabem muito bem que a rede viária está para um país como as artérias e as veias estão para o corpo humano.

Não defendo exageros em matéria de auto-estradas — teria preferido que se tivesse construído uma boa rede ferroviária e uma única auto-estrada que servisse de espinha dorsal do Minho e Trás-os-Montes ao Algarve — mas há situações que são indispensáveis e, no pólo do nosso máximo turismo, a “Via do Infante” tem o valor de uma artéria sanguínea.

 

Não concordo com os actos de vandalismo, mas compreendo que face às medidas adoptadas, para o Algarve, pelo Governo se passe a uma fase de luta que se aproxima do quase terrorismo e que se pode designar por vandalismo. Compreendo, mas não aprovo, ainda que lhe ache justificação. Também compreendo o pobre esfomeado que rouba um pão, embora não aprove nem concorde com o roubo.

Os vândalos que têm destruído as infra-estruturas portageiras na “Via do Infante” estão a agir pressionados pelos actos do Governo e, se tivéssemos de julgar, para determinar culpados iríamos escalonar culpas, porque há situações em que estas não se podem isolar. Donde, a condenação não pode ser cega.

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