Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

A Luta dos Trabalhadores

 

Pois é, quando eu digo que esta crise nos vai levar a um estádio semelhante — repito, semelhante — ao que vivíamos nos anos 60 do século passado há quem olhe para mim desconfiado. Como é que se pode recuar, num tempo de computadores e telemóveis, ao tempo da televisão a preto e branco e ao velho telefone?

Não é desse recuo que eu estou a falar! Refiro-me ao recuo de capacidades de consumo, de segurança social, de estabilidade laboral, de facilidades de crédito, de hábitos modestos. É a isso que eu me refiro. Todos nós vamos ter de reaprender — muitos terão de aprender — a fazer escolhas de substituição: ou se compra e tem-se isto ou se compra aquilo… Para as duas coisas não dá o dinheiro!

Em alguns aspectos estamos mesmo a recuar aos primeiros tempos da ditadura salazarista! Repare-se nas imposições do Governo no que toca aos horários de trabalho, a despedimentos e a gozo de férias.

Mas será possível — perguntarão os mais cépticos — recuar assim para um tempo de ditadura, vivendo nós um sistema democrático? É claro que é possível. A União Europeia é uma armadilha “democrática” que se transformou numa “branda ditadura”.

Ah, pois é!

Tudo depende de quem a governa e dos valores éticos e políticos que prossegue. Vejamos.

 

Quando se diz que não são admitidos Estados ditatoriais dentro da UE está-se a defender esta do contágio de sistemas políticos totalitários, mas esquecemo-nos que, mantendo formalmente a aparência democrática, é possível fazer prevalecer dentro da UE Estados tendencialmente autoritários.

Tomemos o exemplo da Região Autónoma da Madeira. Alguém tem dúvidas que nela se vive um sistema semi-ditatorial? Pessoalmente tenho certezas. Não se prende quem esteja contra Alberto João Jardim — isso era absolutamente primário — mas persegue-se, de forma subtil, limitando-lhe as possibilidades de gozo de todas as liberdades. Ora, aqui, no continente, com o Governo Sócrates, foi ensaiado o mesmo sistema, aquando da célebre manifestação dos professores — a maior que se tinha visto nos anos mais recentes — pois, pura e simplesmente, ignorou-se o acontecimento, passou-se por ele como cão por vinha vindimada! Isto é pior do que mandar prender ou proibir a manifestação. E é neste aspecto que a democracia está a perder terreno em Portugal. Reclamar ou ficar quieto é, para os governantes, exacta e rigorosamente, o mesmo! Eles continuam a fazer o que querem e decidem nos seus gabinetes. Esbracejar no Parlamento é, em rigor, o mesmo que nem lá pôr os pés!

A partir do momento em que as Forças Armadas foram neutralizadas, por força da simples adesão e integração na União Europeia, há uma total impunidade dos governos da mesma União e, em particular, dos daqueles países que estão a sofrer as mais ferozes medidas financeiras, económicas e sociais. Assim, a “ditadura” já existe na União Europeia sem ser necessária impô-la!

A construção da Europa segundo os padrões dos pais do tratado de Roma está atraiçoada por toda uma geração de políticos que não quis compreender os fins da Europa unida: uma Europa de paz, de abundância, de justiça, de livre circulação, de cultura, de prosperidade. Essa Europa foi atraiçoada pela Senhora Thatcher tal como está a ser liquidada pela Senhora Merkle. Essa Europa é hoje uma prisão em vez de ser um espaço de liberdade. Essa Europa da equidade social sonhada por Jean Monnet, baseada na livre circulação da riqueza, das mercadorias e da mão-de-obra, morreu quando se quis ir mais além do que os contornos possíveis definidos por quadros culturais nacionais.

Portugal é vítima dessa Europa dos políticos do liberalismo e o recuo “técnico” aos tempos de Salazar está aí à vista imposto, não pela mão pesada do ditador de Santa Comba Dão, mas pela da troika que recebe a bênção da Alemanha e da França rendidas ao deus Finança. Não há negociações e concertações sociais que resistam e se oponham à vontade desta ditadura… O mais que pode acontecer são ligeiras modificações cosméticas aceites com desprezo, como quem concede uma esmola a um pedinte miserável, lá no alto das cadeiras do Poder.

Neste contexto, a luta dos trabalhadores é um combate perdido no imediato, é uma derrota social. Veremos o que se pode semear, no futuro, desse esforço quase inglório que se avizinha. Portugal e a Grécia estão de luto. Luto carregado. Mas a “armadilha” chamada Europa mantém-se de boca aberta á espera de engolir mais uns quantos Estados. Em Espanha o desemprego já passou a marca recorde dos 22%. O que lhe irá acontecer?

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2006
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2005
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D