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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

A República: 1911 – 2011

 

Há cem anos, em Portugal, havia esperança - e também revolta -, havia um forte desejo de tirar o país da posição de Estado semi-africano, aproximando-o da Europa e especialmente da França. Abatiam-se os poderes que agiam reaccionariamente contra a marcha de uma revolução que se queria burguesa, e já então, socializante. Lutava-se contra poderes instalados e ancilosados. Portugal era, na Europa, a segunda República.

Até 1914 lutou-se contra a reacção monárquica e, depois, passou a lutar-se, também, contra todos os que não eram capazes de compreender que a participação na Grande Guerra, para além de garantir a inviolabilidade do património colonial (cobiçado por alemães, ingleses e até belgas), oferecia a possibilidade única de, lutando ao lado da Inglaterra, se desvincular da tutela humilhante que ela exercia sobre Portugal e, mais do que tudo, de ser aceite na Europa como Estado com soberania e estatuto moral semelhante aos dos restantes aliados. A Grande Guerra, esperava-se, podia ser um momento de união de esforços entre portugueses.

Tudo foi diferente, porque os Portugueses não foram capazes de manter um ideal elevado e deixaram-se arrastar na luta política interna. E isso foi o princípio do fim da República. O grande ideólogo da modernidade nacional, Afonso Costa, perdeu as esperanças nos Portugueses e deixou-se ficar pelo estrangeiro e, internamente, começou a imperar a baixa política, depois da demagógica ditadura presidencialista de Sidónio Pais. De1919 a1926, pouco mais de seis anos, Portugal, em consequência da terrível crise financeira que se seguiu à Grande Guerra, chegou a um ponto que muito se assemelha ao presente. Estava escancarada a porta de entrada da ditadura militar que deu lugar à ditadura financeira de Salazar e, depois, ao Estado Novo. Venceram as forças da reacção, do imobilismo social, do atraso cultural. O resto é nosso conhecido.

Não acredito na repetição da História segundo um círculo, mas admito-a segundo uma espiral que se alonga no tempo perante cenários semelhantes.

Pobre Portugal e pobres Portugueses. A espiral histórica evita-se quando a vontade colectiva é capaz de apresentar novos cenários a partir de rupturas consentidas.

Saberemos, cem anos depois da esperança, encontrar um ponto de ruptura para arrepiarmos caminho neste nosso fado político? O abismo ditará as suas regras.

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