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Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

Fio de Prumo

Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria

09.03.06

Há noventa anos


Luís Alves de Fraga

Monumento aos Mortos da GG - 2.JPG

Passam hoje noventa anos sobre a data em que o ministro dos Negócios Estrangeiros português recebeu a nota de declaração de guerra da Alemanha a Portugal. Foi o primeiro passo que demos na beligerância.


A entrada na guerra, que havia estalado na Europa dezanove meses antes, era uma espécie de carta de alforria em relação à Grã-Bretanha. Temia-se, em Lisboa, a repetição do que acontecera cem anos antes, com as invasões francesas e, especialmente, o desaforo diplomático que foi o Congresso de Viena, de 1815, onde os representantes ingleses se sobrepuseram aos portugueses, obrigando-os a aceitar para o país aquilo que os saxónicos entendiam ser bom e conveniente. Foi desde essa data que mais se acentuou a dependência de Lisboa em relação a Londres.


A declaração de guerra da Alemanha, porque feita contra os desejos do Foreign Office, mas de acordo com os desejos de Lisboa, transformou-se num rude golpe no já consagrado poder funcional da Inglaterra em Portugal.


Claro que o país não tinha condições materiais de entrar num conflito tão absorvente quanto o foi a Grande Guerra — mais tarde designada 1.ª Guerra Mundial — mas sobrepondo-se àquelas razões estão sempre as motivações de Estado. E para as saber defender não basta ser político; é necessário ter o estofo de um verdadeiro estadista.


O arquitecto da beligerância portuguesa — o Doutor Afonso Costa —, embora pequeno de tamanho, era politicamente grande! Tinha o instinto da governação e a clarividência que só poucos afortunados conseguem ter nesse meio.


Porque a ameaça sobre Portugal não era imediata, nem evidente, a beligerância foi contestada logo de imediato por muitos. De tal forma essa contestação ganhou direitos de cidadania que ainda hoje há quem virulentamente ataque a decisão de há noventa anos. São os ignorantes da História ou os incapazes de perceber que a grandeza das pátrias não se faz só com números e cifrões. Desses não devia a História ocupar-se, porque a sua dimensão física e moral é baixa e insignificante.

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